Início / INSPIRAÇÃO JUVENIL

INSPIRAÇÃO JUVENIL

Read Offline:

  Inspiração Juvenil 2017 – Siga o Mestre!

inspiracao_juvenil_2017_broch__02701_zoom


DESCRIÇÃO DO LIVRO

VINÍCIUS MENDES-SIGA O MESTRE-INSPIRAÇÃO JUVENIL 2017

Se em algum momento você já se sentiu perdido, sem saber a direção a seguir, saiba que não está sozinho. Desde que o pecado entrou no mundo, essa é a condição de todo ser humano. Felizmente, Jesus não nos deixou em um beco sem saída. Ele não apenas aponta a direção, mas acompanha você em cada passo.

 

Para que, neste ano, Jesus seja seu guia e companheiro, este livro irá conduzi-lo em uma emocionante jornada pelos evangelhos. Você será convidado a visitar as cenas de banquetes, milagres, sermões inesquecíveis e grandes maravilhas. Também será desafiado a olhar para a agonia do Getsêmani, a intensa dor do Calvário e a brilhante manhã da ressurreição.
A cada dia, a vida e os ensinamentos de Jesus irão lhe indicar o trajeto seguro para a casa do Pai. Você não precisa se perder por atalhos perigosos. Apenas siga o Mestre.

Vinícius Mendes, graduado em Teologia e em Letras, é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Atuou como Pastor de igreja no Espírito Santo. Casado com Ariane, é pai de Ana Clara.


Inspiração Juvenil – Siga o Mestre – Março/2017


Super-lua – 1° de março 2017


Assim também a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no Céu. Mateus 5:16

“Lua do perigeu” é o nome astronômico para o conhecido fenômeno chamado de superlua. O perigeu é o ponto mais próximo à Terra que a Lua alcança no ano, e o apogeu é ponto mais distante. A distância entre o apogeu e o perigeu é de cerca de 50 mil km. Como a órbita da Lua é elíptica, há ocasiões em que ela fica mais próximo de nosso planeta. Quando a Lua chega bem perto do perigeu, e ela está na fase cheia, somos brindados com o espetáculo da Superlua, que, do nosso ponto de vis­ta, parece cerca de 15% maior e 30% mais brilhante do que uma Lua cheia normal.

Como Jesus disse que somos a luz do mundo, precisamos pensar em qual tem sido nossa posição em relação às pessoas que vivem ao nosso redor. Será que es­tamos no “apogeu”, distantes, não levando a ninguém o brilho da salvação? Ou estamos próximos ao “perigeu”, ao lado daqueles que precisam do evangelho, que estão famintos e sedentos pela luz da salvação e de ajuda humanitária?

É muito bom ir à igreja adorar a Deus, mas a vida cristã não se resume a isso. Temos o dever de seguir a ordem de Jesus e ir aonde as pessoas estão, levar a elas salvação e suprir suas necessidades reais. O Senhor espera isso de nós. “Cristo confia a seus seguidores uma obra individual – uma obra que não pode ser feita por pro­curação. O serviço aos pobres e enfermos e o anunciar o evangelho aos perdidos não devem ser deixados a comissões ou à caridade organizada. Responsabilidade individual, […] esforço e sacrifício pessoal são exigências evangélicas” (A Ciência do Bom Viver, p. 147).

Não podemos nos acomodar no “apogeu” de nossa indiferença. Se quisermos brilhar por Jesus, precisamos ter coragem e ir aonde Deus mandar e permitir que o espírito de amor e misericórdia tome conta de nossa vida. Próximos ao “perigeu”, as pessoas verão as nossas “boas obras” e vão glorificar a Deus.

Devemos nos lembrar de que existe muita gente que, além de não conhecer Jesus, também tem muitas carências materiais. Por isso, precisamos nos envolver com as atividades missionárias e de misericórdia e, em nosso dia a dia, sermos agen­tes de salvação. Que tal deixar de ser uma invisível Lua Nova e se tornar uma Super­lua para Jesus?


Não entenda errado – 2 de março 2017


Não entendam de modo errado a razão da minha vinda. Não vim abolir a Lei de Moisés e as advertências dos profetas. Eu vim para cumprir a Lei. Mateus 5:17, Nova Bíblia Viva

Não é de agora que algumas pessoas interpretam mal a postura de Jesus em re­lação à lei de Moisés. Por sua ênfase na graça, muitas pessoas têm acreditado que o Senhor não gosta dos mandamentos e que os aboliu com sua vinda à Terra. Nada poderia estar mais errado.

Existem pessoas que veem apenas o que desejam enxergar. Para evitar isso em relação a seu ensino sobre a lei, Jesus foi bem enfático: “Não vim abolir a Lei de Moisés e as advertências dos profetas.” Foi o próprio Jesus que estabeleceu a lei e a comunicou a Moisés no monte Sinai. Como Ele é o mesmo ontem, hoje e será eter­namente (Hebreus 13:8), não faz o menor sentido pensar que Ele mudou de idéia. Assim, é completamente sem fundamento o pensamento de que Jesus aboliu a lei na cruz, como alguns insistem.

Se não fosse suficiente, o Senhor afirmou ainda: “Eu vim cumprir a Lei.” O verbo “cumprir” é a tradução do termo grego pleorosai, que significa encher. Em vez de rejeitar os ensinamentos da lei, o Senhor os encheu de significado. Em primeiro lugar, obedecendo perfeitamente a todos os mandamentos – coisa que ser huma­no nenhum conseguiu -, e ensinando o verdadeiro significado das regras divinas. Ao invés de diminuí-las, sua interpretação as “encheu”, aumentado ainda mais sua importância, que no tempo dele (e hoje também) andava rebaixada. Segundo o teólogo anglicano John Stott, o propósito de Jesus “não é mudar a lei, muito menos anulá-la, mas ‘revelar toda a profundidade do significado que pretendia conter.'”

A expressão “Lei de Moisés” significa o conjunto de livros que Moisés escreveu, o qual chamamos de Pentateuco. Ao dizer que veio cumprir a lei, Jesus também estava dizendo que o que Moisés e os demais profetas escreveram apontava para a vida dele. Então, o Senhor quis deixar claro que a Bíblia toda – não só o Novo Testa­mento como ensinam alguns – deve ser levada a sério. De Gênesis a Apocalipse, o personagem central das Escrituras é Cristo.

Não caia na tentação de entender errado a missão de Jesus. Ele veio para sal­var a humanidade, obedecendo a toda lei que Ele mesmo estabeleceu. Jesus deu exemplo do que devemos fazer e também concedeu o poder para viver como Ele viveu.


Nos mínimos detalhes – 3 de março 2017


Porque em verdade vos digo: até que o céu e a Terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei até que tudo se cumpra. Mateus 5:18, ARA

“Não me medico! Vou ao médico.” O que faz essa frase ter sentido é um pequeno detalhe. “Medico” é um verbo, e “médico” é um substantivo. E o que definiu essa diferença foi o acento agudo. Veja outro exemplo: “Pega ladrão!”; “Pega, ladrão!”. Na primeira frase, sem a vírgula, alguém está denunciando a fuga de um ladrão; na segunda, com a vírgula, uma pessoa está entregando algo a um ladrão. Os detalhes são muito importantes!

Isso é ainda mais sério quando o que está em jogo é a lei de Deus. Jesus disse que não se pode retirar nem um “i” ou “til” dos mandamentos. O “i” é a tradução de iode, a menor letra da língua hebraica. “Til” em grego é kerea, que significa “chifre”, ou seja, a pequena ponta das letras, como a serifa de algumas fontes de hoje.

Esse exemplo de Jesus mostra como Ele leva a sério a sua Palavra e os dez mandamentos. Ele acrescentou: “Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos Céus” (Mateus 5:19, ARA).

Ninguém tem o direito de dizer que algo da lei de Deus foi abolido ou substituí­do. Fazer isso equivale a entrar em choque com a vontade de Deus e se credenciar a não fazer parte do reino do Céu.

Na verdade, as pessoas não têm dificuldade em aceitar que nove mandamentos da lei de Deus ainda têm valor. A implicância está com o quarto mandamento que requer a observância do sábado. Pastores ensinam a seus membros que esse mandamento foi abolido na cruz e que o sábado foi substituído pelo domingo. Mentira! Quem não se arrepender disso vai ser considerado o menor do reino do Céus. Palavras de Jesus.

Alguém pode argumentar: “Que diferença faz guardar sábado ou domingo?” Para Deus, faz toda a diferença, pois foi no sétimo dia que Ele descansou após ter criado o mundo, além de o ter abençoado e santificado. Se um “i” ou “til” são importantes, imagine um mandamento inteiro, que se refere a um dia tão especial para o Criador.

Esse “detalhe” de Deus pode fazer toda a diferença em sua vida. Sem ele, a vida humana fica confusa, como palavras sem acento e frases sem pontuação. Ao escrever as páginas de sua vida, é Jesus, o grande “escritor”, quem acerta e embeleza o “texto”, colocando os “pontos nos is”. Deixe-o escrever e não retire nada do que está escrito.


Padrão – 4 de março 2017


Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos Céus. Mateus 5:20, ARA

Os fariseus eram considerados o padrão mais elevado de justiça e santidade nos tempos de Jesus. Esses homens se comportavam de uma forma que as pessoas comuns imaginavam que nunca conseguiriam igualar. Eram respeitados como guardiões da verdade e como os únicos que conseguiam viver à altura das exigências de Deus. Porém, Jesus denunciou a falsidade dessa religiosidade e disse que o padrão para alcançar o Céu era bem mais alto.

Em geral, esses homens se orgulhavam de suas conquistas espirituais e gosta­vam de expor seu sacrifício em público para que todos os aplaudissem. Se estavam jejuando, todo mundo tinha que saber; suas .doações aos pobres eram um evento cheio de aplausos. Se fosse hoje, postariam no Facebook uma selfie com o rosto aba­tido para revelar seu jejum e filmariam suas boas ações e colocariam no YouTube. Jesus não tolera esse tipo de coisa.

Eram uma farsa. “Bons” em público e perversos longe dos holofotes. Esse tipo de gente (e eles ainda estão por aí) parece não saber que “religião é aquilo que uma pessoa faz com sua solidão”. Quando ninguém está nos vendo, é que revelamos quem nós somos de verdade.

Os fariseus tornavam a vida religiosa um fardo terrível. Para eles, a lei tinha 248 mandamentos e 365 proibições. E, como supostamente conseguiam praticar tudo Isso, eram tidos como heróis pela população.

Entretanto, do ponto de vista humano, a incrível religião dos fariseus é muito mais fácil do que a de Jesus, que tem somente dez mandamentos, os quais Ele ain­da resumiu em dois. Enquanto a religião dos fariseus só se preocupa com a “casca”, a do Senhor vai no fundo do coração e transforma de dentro para fora. Com algum esforço, é possível fazer o que os fariseus faziam; agora, ser realmente obediente a Deus, seguindo motivações puras e santas, nenhum de nós é capaz. Porém, esse é o padrão de Jesus, e Ele não aceita menos do que isso.

Ser igual aos fariseus parece muito difícil, mas ser igual a Jesus é impossível. No entanto, a graça de Deus se manifesta exatamente para fazer o que não podemos. Se você abrir seu coração a Deus e clamar pelo poder divino, o Espírito Santo tomará conta de sua vida e o ajudará a ser igual a Cristo.


O incrível nariz de Deus – 5 de março 2017


Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não mate. Quem matar será julgado.” Mas Eu lhes digo que qualquer um que ficar com raiva do seu irmão será julgado. Mateus 5:21, 22

Parabéns, pegou ar” é a frase que um humorista do nordeste usa para rir de suas “vítimas” depois de levar a pessoa a explodir de raiva ao ter seus limites testa­dos com apelidos e injúrias por um desconhecido do outro lado da linha telefônica.

“Pegar ar” em bom nordestinos é sinônimo de ficar com muita raiva. Trata-se de uma expressão interessante, pois reflete bem o processo de fúria. A pessoa irada respira fundo e, quando o ar chega aos pulmões, sai de baixo, porque vem chumbo grosso. Quando o pacato cientista Robert Bruce Banner “pega ar”, ele fica verde e vira o incrível Hulk.

Quem não quer “pegar ar” precisa ter longanimidade. Essa expressão é a tradu­ção da palavra grega makrothumia, junção de makro (grande) e thumos, que deriva de thuos (respiração). Em termos figurados, significa que uma respiração longa atra­sa a chegada do ar aos pulmões e evita a explosão de raiva.

A mais bela definição que temos de Deus, na Bíblia, é apresentada em Êxodo 34:6: “senhor, senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em miseri­córdia e fidelidade” (ARA, itálico acrescentado). “Longânimo” em hebraico pode ser traduzido literalmente como “narizes longos”. Para destacar a infinita paciência de Deus, o autor bíblico diz que o Senhor tem dois longos narizes. Ou seja, Ele demora a “pegar ar”.

E é isso que Jesus também espera de nós. A longanimidade é um fruto do Espírito e, independentemente de nossa personalidade, podemos exercê-la pela fé na graça transformadora de Deus.

No sermão do monte, Jesus colocou em pé de igualdade a ira sem motivo e desproporcional com o assassinato. A “arma de fogo” de muitas pessoas, com a qual têm matado o próximo, é a língua que descarrega uma potência incrível de ira sobre o outro.

Permita que hoje o Espírito de Deus alongue seus ânimos, aumente seu es­topim e retarde a chegada do “ar” aos “pulmões” da ira. Tenha paciência com os ou­tros do mesmo modo que o Senhor tem com você. Não fique “verde”, não “pegue ar”. Respire com os longos narizes de Deus.


O coração e as palavras – 6 de março 2017


E quem chamar o seu irmão de idiota estará em perigo de ir para o fogo do inferno. Mateus 5:22

É incrível perceber como um teclado e a aparente impessoalidade da internet confe­rem a algumas pessoas uma “coragem” impressionante. Criticam abertamente, xin­gam, ofendem e discriminam sem o menor pudor. Escondidos atrás da tela do computa­dor, alguns perdem a noção da realidade e assumem uma postura que dificilmente teriam se, em vez de escrever no conforto de seu quarto, tivessem que falar olhos nos olhos.

Fora do mundo digital, juízes de futebol (e suas pobres mães), jogadores do time adversário, políticos, pessoas que pensam e se comportam de formas diferen­tes, em via de regra, são vítimas de toda a sorte de injúrias. Nos estádios, nas ruas, na internet, pessoas “escondidas” no meio da multidão revelam a verdadeira natureza de seu caráter e permitem que o suposto anonimato dê vazão aos mais terríveis pecados que estão escondidos atrás das máscaras sociais que vestem.

O fato é que, no mundo virtual ou ao vivo, os xingamentos não devem, nem de longe, fazer parte da vida do cristão. De acordo com Jesus, quem vive ofendendo as pessoas, quem não perde uma oportunidade para ironizar, zombar e agredir ver­balmente, e não se arrepende, terá a mesma punição de quem tira a vida de alguém porque suas palavras revelam um estado de perdição.

Jesus escava a superfície de nossa personalidade e se aprofunda nas motiva­ções do coração. Ele disse certa vez: “Como é que vocês podem dizer coisas boas se são maus? Pois a boca fala do que o coração está cheio” (Mateus 12:34). As palavras que falamos ou escrevemos apenas denunciam o que somos.

Por outro lado, os salvos buscam se parecer com Jesus usando as palavras de maneira certa: “Enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5:18-20, ARA, itálico acrescentado). Enquanto os perdidos ofendem os outros com xingamentos, ironias e críticas mordazes, os salvos são enchidos com o Espírito San­to porque usam sua boca para edificar os outros com a Palavra de Deus.

Decida hoje usar sua língua como um salvo. Submeta seu coração à influência do Espírito Santo, e suas palavras revelarão o seu destino: a vida eterna ao lado de Jesus.


No meio do caminho – 7 de março 2017


Portanto, se você estiver diante do altar no templo, oferecendo um sacrifício a Deus, e de repente se lembrar de que seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe seu sacrifício ali, ao lado do altar, vá e faça as pazes com ele, depois volte e ofereça o seu sacrifício. Mateus 5:23,24, Nova Bíblia Viva

“No meio do caminho tinha uma pedra / tinha uma pedra no meio do caminho / tinha uma pedra / no meio do caminho tinha uma pedra.” Esses são alguns dos versos mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade. O poema “No meio do caminho” não revela qual seria o destino final desse viajante, prova­velmente em busca de autoconhecimento, mas quer destacar, de forma enfática, a presença de um obstáculo do qual o homem nunca conseguiu esquecer. Uma interpretação possível para esse texto enigmático é a de que a pessoa desistiu da viagem por causa da pedra.

Em nossa jornada rumo ao Céu, existem muitos obstáculos. Tentações, pecados, provações e muitas outras coisas pretendem se interpor entre nós e Deus. A Bíblia diz: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vos­sos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Isaías 59:2, ARA).

No sermão do monte, Jesus mencionou uma grande “pedra” que está no meio do caminho de muita gente, impedindo que a viagem até o Céu prossiga: as desa­venças não resolvidas.

O texto bíblico de hoje deixa muito claro que, antes de nos apresentarmos diante de Deus em adoração, devemos procurar reconciliação com pessoas com as quais tivemos problemas. Deus não aceita louvor de quem não administra perdão. Brigas, intrigas, mágoas e ressentimentos são “pedras” enormes que precisam ser removidas com a ajuda do Espírito Santo.

É natural que, em nossa vida, ocorram, em algum momento, desentendimen­tos com alguém. As pessoas são diferentes, e, às vezes, as vontades e os gostos se chocam. Dependendo do estado de espírito, as palavras e as atitudes podem piorar a situação. Quando ocorre a desavença, uma “pedra” aparece em nossa vida. Esse obstáculo precisa ser removido para que a caminhada continue.

Para isso, faça o que Jesus ensinou. Lembrou que alguém está triste com você? Tome a iniciativa de ir até essa pessoa e esclareça a situação. Se errou contra ela, peça perdão. Perdoe, caso você tenha sido ofendido. Não alimente mágoas e sentimentos ruins no coração. Retire as “pedras” do caminho, e a poesia de sua vida terá um final feliz.


Cuidado, olhinhos! – 8 de março 2017


Quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração. Mateus 5:28

Os olhos são a principal avenida de entrada da mente. Por meio deles, podemos ver como as coisas são, conseguimos ler, perceber as diferenças de cores, ta­manhos e formatos e apreciamos a beleza de tudo o que existe. Seria ótimo se eles só nos colocassem em contato com o que é bom.

Porém, essa não é a realidade da vida. Infelizmente, nossa visão permite que en­xerguemos a impureza. Os olhos podem abrir as portas do coração para que o peca­do se instale. Eles têm a capacidade de dar matéria-prima para a imaginação, que pas­sa a pintar quadros pecaminosos na mente, pincelados com luxúria e sensualidade.

No tempo de Jesus, os líderes religiosos ensinavam que o pecado sexual era cometido apenas quando um homem e uma mulher não casados entravam em relacionamento íntimo. Assim, desconsideravam que a impureza sexual não nasce no ato, mas na imaginação pecaminosa, que olhares cheios de lascívia alimentaram.

Seguindo seu estilo, Jesus aprofundou a questão. Além de condenar o pecado do olhar cobiçoso, Ele ensinou como vencer a impureza sexual. Se uma pessoa de­seja resistir essa tentação, precisa aprender a controlar os olhos.

O inimigo de Jesus sabe disso e tem investido pesado para que nossos olhos sejam bombardeados diariamente com todo o tipo de imagens sensuais. Seu plano sujo é alimentar a imaginação de homens e mulheres com luxúria para que mais e mais pessoas estejam presas em sua teia de perdição.

Além de estar satisfeito com os pecados que ficam apenas na mente, pois estes já são suficientes para tirar a vida eterna de alguém, o inimigo quer que as pessoas, mo­vidas pelos incentivos da sensualidade, partam para as vias de fato e, por exemplo, percam a virgindade antes do casamento, traiam seus cônjuges e destruam famílias.

Essa invasão da sensualidade por meio dos olhos provoca sérios danos para as pes­soas, as famílias e a sociedade. Muitos têm perdido a dignidade e têm visto sua integrida­de se desfazer por causa dos pecados sexuais, que depois deixam um gosto amargo de culpa e destruição. Caso tenha perdido algumas batalhas nessa área, não se desespere. Deus é especialista em perdão. Ele pode lhe dar olhos puros e um coração renovado.

Se você deseja vencer, faça um “pacto com seus olhos”. Entregue-os à direção de Deus e olhe só para o que for puro.


Hipérbole – 9 de março 2017


Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno. Mateus 5:29

Hipérbole é a figura de linguagem que exagera um conteúdo com o propósito de mostrar sua importância. “Já falei mais de mil vezes, menino, para não entrar na água após o almoço. Você pode ter uma congestão e até morrer!” Era assim que, na minha infância, mamãe tentava chamar atenção do filho para a importância do que estava dizendo. Ela era extremamente hiperbólica (acho que também fui agora) com essa coisa de mergulhar depois do almoço.

Jesus usou a hipérbole no versículo bíblico de hoje. Com essa figura de lingua­gem, Ele quis deixar clara toda a malignidade do pecado.

Como se trata de linguagem figurada, é óbvio que Deus não deseja que nin­guém se automutile. Por não entender o que Senhor estava dizendo, algumas pes­soas levaram essa orientação ao pé da letra. Orígenes, por exemplo, um importante teólogo do início da igreja cristã, foi um dos casos mais conhecidos. Ele se autocastrou para evitar o pecado da luxúria. Jesus nunca pretendeu que suas palavras fossem entendidas dessa forma.

Interpretar de maneira literal esse ensino é desconsiderar a profundidade da ação de Deus em nossa vida. Além de impedir a prática do pecado, Ele deseja, acima de tudo, que nossa mente seja pura. Ele não quer mutilação física, mas uma ação mortal contra a natureza pecaminosa. O apóstolo Paulo confirma: “Porque, se vocês viverem de acordo com a natureza humana, vocês morrerão espiritualmente; mas, se pelo Espírito de Deus vocês matarem as suas ações pecaminosas, vocês viverão espiritualmente” (Romanos 8:13, itálico acrescentado).

Era a isso que Jesus estava se referindo ao usar a hipérbole do versículo de hoje. Arrancar o olho, portanto, equivale a não ter olhos para o que é impuro, porque o cora­ção foi purificado pela graça de Deus, e o pecado foi morto em nossa vida. Em termos práticos, significa também uma firme decisão de não se contaminar com nada que nos exponha ao mal. Filmes, sites, revistas e pessoas que podem nos fazer pecar devem ser arrancados de nossa vida para que não façam reviver a impureza em nosso coração.

Nenhuma hipérbole poderá exagerar suficientemente a maravilha que será vi­ver para sempre com Jesus no Céu nem a tragédia de perder a vida eterna. Por isso, permita hoje que Deus purifique seu coração e o inunde com seu hiperbólico amor.


O tamanho do nariz – 10 de março 2017


Que o “sim” de vocês seja sim, e o “não”, não, pois qualquer coisa a mais que disserem vem do Maligno. Mateus 5:37

Pinóquio é um dos mais conhecidos personagens da literatura infantil. Esculpi­do na madeira por Gepeto, assumiu a vida e passou a se comportar como um menino. Aprendeu a falar, brincar, cantar e… mentir. Porém, toda vez que não falava a verdade seu nariz crescia. Na minha infância, era comum algum adulto amedron­tar as crianças que supostamente estivessem mentindo assim: “Seu nariz vai crescer, hein!” Se eu disser que nunca falaram essa frase para mim, é capaz de meu nariz querer dar uma pequena esticada.

Infelizmente, a mentira é uma das tristes companhias do ser humano ao longo das eras. A primeira vítima no planeta Terra foi Eva, que ouviu a conversa da serpen­te e acreditou. De lá para cá, a história da mentira se confunde com a da humanida­de. Jesus atribuiu paternidade satânica àqueles que fazem da mentira uma prática comum da vida (João 8:44). No sermão do monte, o Senhor vai na mesma direção e relaciona até pequenos exageros a uma origem infernal.

No dia a dia, as pessoas mentem em diversas situações: na “cola” da prova, na so­negação de impostos, diante do tribunal, para justificar atrasos, “beneficiar” alguém e para tentar esconder erros cometidos. Para muitos, mentir é uma prática comum. No entanto, pequena ou grande, Deus repudia essa conduta e espera que seus filhos ja­mais a usem. Ninguém está seguro ao usar de um artifício criado pelo inimigo de Deus.

Atualmente existem especialistas na arte de saber se alguém está mentindo. Mínimas expressões e gestos são analisados por esses técnicos na tentativa de per­ceber se a pessoa está faltando com a verdade. Esses recursos têm ajudado a justiça. é possível, porém, que algum especialista na “arte” de mentir consiga disfarçar e enganar os outros por algum tempo. Contudo, “mentira tem perna curta”, e logo isso se torna visível.

Por isso, a melhor coisa a fazer é sempre falar a verdade. Se os mentirosos são filhos do diabo, quem fala a verdade é filho de Deus. Jesus é a verdade encarnada, e sua palavra não muda ao sabor das circunstâncias.

Se você deseja ser um fiel seguidor de Cristo, faça da verdade seu estilo de vida. Rejeite qualquer forma de mentira e nunca prometa o que sabe que não poderá cumprir. Desse modo, as pessoas vão confiar em você.


Assertividade – 11 de março 2017


Que o “sim” de vocês seja sim, e o “não”, não. Mateus 5:37

É, veja bem, eu penso que, de repente, eu acreditaria se, conforme mencionei anteriormente, então… é isso…” Assim gagueja o rapaz ao ser questio­nado sobre um importante tema de sua fé. Ele nasceu em um lar cristão, mas não está convencido dos motivos que devem levar uma pessoa a seguir Jesus.

Esse é um típico caso em que as palavras embaralhadas refletem uma persona­lidade indefinida e sem rumo. A falta de assertividade da resposta evidencia uma crise de identidade e baixa autoestima. Pessoas assim são imprecisas ao se comuni­car, porque andam perdidas com respeito às importantes decisões da vida.

A assertividade é a característica da fala de pessoas seguras e que estão con­victas a respeito do que querem para si. Isso faz com que elas sejam precisas e até convincentes ao apresentar seu pensamento.

Pessoas que tiveram um encontro real com Jesus expressam sem medo e sem rodeios o que está dentro do coração. Transmitem com simplicidade a profundida­de do evangelho de Cristo e, ao serem questionadas sobre sua fé, não titubeiam. Falam com precisão e lucidez.

Esse convencimento também é resultado de seguir a orientação do apóstolo Pedro: “Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm” (1 Pedro 3:15). Estudar as Escrituras e conhe­cer cada vez mais os temas da Palavra de Deus é o dever de cada cristão. Para cada fase da vida, existe uma escala de conhecimento bíblico adequada.

É por isso que a igreja dispõe de materiais, como as lições da Escola Sabatina, que apresentam conteúdos contextualizados para cada faixa etária. Além disso, há uma enormidade de outros materiais disponíveis para quem se interessa em saber mais sobre a Palavra de Deus e, assim, estar preparado para, com assertividade, falar sobre a esperança que mantém no coração. Com esse conhecimento maravilhoso transbordando na vida, as palavras fluem com entusiasmo e precisão ao expressar o amor de Deus para os outros.

É triste, porém, ver que algumas pessoas falam com tanta empolgação sobre filmes, jogos e esportes, mas se enrolam para defender as crenças e doutrinas da Bíblia. Resol­va hoje conhecer mais a Palavra de Deus, e você entenderá seu papel na vida. Assim, ao abrir a boca para falar sobre sua fé, ninguém terá dúvida a respeito de suas convicções.


Os não vingadores – 12 de março 2017


Eu lhes digo: não se vinguem dos que fazem mal a vocês. Se alguém lhe der um tapa na cara, vire o outro lado para ele bater também. Mateus 5:39

A mesa está farta para o jantar. Arroz, feijão, purê de batatas, lasanha e outras coisas mais. Apenas um problema: está tudo frio. A comida está sobre a mesa desde o almoço. A fome é grande, mas, a cada tentativa de mastigar o alimento, a sensação de mal-estar aumenta, principalmente depois de sentir o cheiro desagra­dável do feijão quase azedo por ter ficado fora da geladeira durante todo o dia. Essa cena faz lembrar a frase: “Vingança é um prato que se come frio.”

Por mais que o ditado acima queira enfatizar a paciência da pessoa vingativa, para mim, ele revela o gosto amargo que a vingança deixa na boca. O “filósofo” Seu Madruga, do seriado “Chaves”, tem toda a razão quando afirma: “A vingança nunca é plena, mata alma e a envenena.” Como expressa a frase atribuída a Shakespeare: “Vingar é tomar um veneno e pensar que outra pessoa vai morrer.”

O ensino de Cristo sobre esse assunto é uma afronta à precipitada natureza humana. Com a visão curta, o ser humano afastado de Deus pensa que a justiça só é feita quando o mal que sofreu é devidamente vingando na mesma proporção. Jesus proíbe seus seguidores de pensar dessa maneira. O apóstolo Paulo apresenta o motivo para isso, quando diz que a vingança pertence a Deus.

Certamente, a parte mais difícil do texto bíblico de hoje é o dito sobre dar a outra face. Ao longo da história, muita gente tem tido dificuldade em entender o que Jesus estava querendo dizer. Porém, essa afirmação de Cristo deve ser entendida à luz de sua ordem para não sermos vingativos. Dar a outra face está em oposição a dar um tapa de volta na face de quem lhe bateu. É como se Ele estivesse dizendo: “Nunca reaja!” Jesus sabia que a retaliação gera violência ainda maior.

Em hipótese alguma, Cristo está ordenando que sejamos covardes ou passivos diante da impiedade do mundo. A conduta dele em relação ao pecado mostra que não é isso. Devemos ser ativos em condenar com palavras e atitudes as injustiças. Entretanto, ao sermos ofendidos por alguém, jamais devemos revidar. Isso só piora as coisas.

A justiça de Deus é plena. Ele tem registrado todo o mal que é cometido contra seus filhos e, em breve, retribuirá as obras de cada um. Enquanto isso, não seja envenenado com “o prato que se come frio”. Confie em Deus e nunca revide o mal.


A ponte – 13 de março 2017


Vocês ouviram o que foi dito: “Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.” Mas Eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no Céu. Mateus 5:43-45

Deus está no Céu, e os homens na Terra. Por meio do Espírito Santo, os cristãos são os responsáveis por diminuir essa distância ao representar o caráter divino em tudo. Jesus veio também para isso e compartilhou conosco a mesma missão. Porém, um dos pontos mais difíceis é a ordem para amar os inimigos. No sermão do monte, a proposta do Senhor foi interpretar de modo correto a lei de Deus, pois o ensino dos rabinos feria princípios fundamentais do evangelho.

Os mestres da lei ensinavam que era dever de um judeu amar seus compatrio­tas, mas odiar os inimigos. Eles interpretavam assim porque a ordem divina para amar o próximo em Levítico 19:18 aparentemente só incluía “os filhos do seu povo”, isto é, os judeus. Assim, como a ordem era para amar seus irmãos, eles se viram livres para entender que deviam odiar os que não eram judeus.

Contudo, essa era uma visão errada, pois, no mesmo capítulo, está escrito que os estrangeiros deveriam ser amados e respeitados (Levítico 19:33, 34). O ódio que os rabinos acrescentaram era pecaminoso e sem base bíblica.

Por outro lado, a interpretação de Jesus coloca Deus como padrão para o ser humano. Do mesmo modo como o Senhor nos amou quando ainda éramos inimi­gos dele (Romanos 5:10), devemos amar as pessoas que não gostam de nós.

Como conseguir praticar algo tão difícil? A resposta está na ordem para orarmos por aqueles que nos perseguem. A oração é a ponte da fé. Por meio dela, podemos nos ligar ao Céu e às outras pessoas.

Ao orar, entramos na dimensão celestial, onde reina o amor por todos. A oração nos ajuda a olhar as pessoas com misericórdia e nos permite entender também a mo­tivação das ações erradas. Orando, nossos olhos se abrem, por exemplo, para traumas do passado que podem estar na base da personalidade problemática de algumas pessoas. É com a oração também que percebemos os próprios erros e ajustamos nossa conduta para amenizar ou mesmo evitar o ódio dos outros em relação a nós.

Amar envolve sacrifício, e a natureza humana não gosta disso. Porém, a oração nos faz parecer com Jesus e abre a porta de nosso coração para o abrangente amor de Deus. Faça como Cristo: ame seus inimigos, ore por eles e aproxime o Céu da Terra.


Mutantes – 14 de março 2017


Portanto, sejam perfeitos, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no Céu. Mateus 5:48

Na ficção, mutantes são pessoas dotadas com poderes especiais que os di­ferenciam do resto da humanidade. Na vida real, também existem pessoas que desenvolvem habilidades extraordinárias, como Ma Xiangang, que é capaz de entrar em contato com qualquer fio elétrico desencapado sem levar choque (não tente isso em casa) ou Kim Peek que, por conta de uma doença chamada de savantismo, chegou a memorizar 12 mil livros e tinha a capacidade de ler duas páginas ao mesmo tempo, uma com cada olho (isso você pode tentar). Jesus fala de uma “mutação” que o cristão precisa ter: a perfeição. O que isso significa?

Alguns acreditam que Jesus está ensinando que o verdadeiro cristão vive sem cometer qualquer tipo de pecado, como Deus. Essa é uma interpretação descabida, pois, mais à frente, no próprio sermão do monte, o Senhor estimulou seus discípu­los a orar ao Pai em busca de perdão por pecados (Mateus 6:12). Se o perdão é uma possibilidade, a impecabilidade não é a realidade do cristão, antes da volta de Cristo.

Em realidade, Jesus pretendeu elevar o nível do ser humano. Em vez de olhar para nós mesmos e para o próximo, devemos ter em mente o nosso Pai celestial. é a Ele que devemos imitar. A perfeição divina deve ser sempre o nosso alvo. Como Paulo, nossa realidade é: “Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus” (Filipenses 3:12).

A seção bíblica do versículo de hoje finaliza o tema da misericórdia e do dever cristão de amar os inimigos. O exemplo que Jesus dá é do próprio Deus, que não faz distinção de pessoas, permitindo “que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus” (Mateus 5:45).

Enquanto os seres humanos valorizam e respeitam somente aqueles que lhe fazem bem ou de quem podem tirar algum benefício, Deus trata a todos de modo Igual. Ele faz isso não por obrigação, mas porque essa é a sua natureza. É essa a perfeição que Jesus espera de nós.

Isso, porém, só é possível se houver uma “mutação” em nossa natureza. Quando permitimos, Deus, o grande cientista, insere o gene do amor em nosso caráter e nos transforma em “mutantes”. Ser perfeito é agir como Deus. Ame as pessoas indepen­dentemente de qualquer coisa e seja um “mutante” do Céu.


 

Entre as batatas e o trono – 15 de março 2017


Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. Mateus 6:3, 4, ARA.

“Ao vencedor as batatas!” Essa é a frase que resume a filosofia do humanitismo de Quincas Borba, na obra ficcional de Machado de Assis. Para ilus­trar a teoria, o narrador fala de duas tribos que entram em guerra por um campo de batatas. Quem vencer receberá como recompensa as batatas, e quem perder morrerá de fome. A paz significaria a morte das duas tribos, e a guerra manteria uma das duas. Em Quincas Borba, Machado de Assis quer destacar a futilidade das recompensas humanas.

No versículo bíblico de hoje, Jesus está condenando os fariseus, que gostavam de fazer caridade para receber a aprovação das pessoas. Para esse tipo de gente, o Senhor foi bem claro: já receberam o pagamento. Tocar trombeta a fim de atrair a atenção dos outros para qualquer coisa boa que façamos anula a recompensa divina.

O prêmio de Deus não é uma medalha de honra ao mérito depois que alguém resolve compartilhar seu lanche com um colega faminto no intervalo das aulas. A natureza da recompensa divina é diferente, pois vem em forma de alegria profunda em fazer atos de bondade e misericórdia. Imagine um garoto que ame jogar futebol e receba milhões por isso. É mais ou menos assim na vida espiritual. Com a natureza de Jesus no coração, o cristão “recebe” para fazer o que lhe dá prazer.

O profeta Miqueias, ao listar o que Deus espera de seus filhos, diz, entre outras coisas, que nós devemos amar a misericórdia. Mais do que fazer o bem, devemos sentir prazer verdadeiro com a felicidade que proporcionamos às pessoas com nos­sos atos de bondade. Essa é a recompensa de Deus.

Os fariseus, por sua vez, não tinham nenhuma felicidade na filantropia que pra­ticavam. Sua motivação eram os aplausos, e isso era sua recompensa. Eles imagi­navam também que, além das “palmas do auditório”, podiam conquistar uns pon­tinhos amais com Deus e garantir um lugar de destaque no Céu. Terrível engano!

Fazer o bem para as pessoas não é uma opção para o cristão. Por isso, abra seus olhos e enxergue a necessidade de quem está à sua volta, e Deus vai recompensá-lo por isso. Não lute pelas “batatas” dos aplausos humanos. A frase da filosofia de Jesus é: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono” (Apocalipse 3:21, ARA).


Etiqueta – 16 de março 2017


Portanto orem assim… Mateus 6:9

Descuidar na etiqueta diante da monarquia pode gerar situações constran­gedoras. Foi o que aconteceu com o piloto inglês Lewis Hamilton, em 2009, quando foi condecorado pela rainha Elisabeth. O protocolo diz que a rainha sempre começa a conversa com a pessoa que está do seu lado direito. Só depois de servido o jantar, a anfitriã se dirige a quem está ao seu lado esquerdo. Sem saber disso, Ha­milton, sentado à esquerda da rainha, foi corrigido por ela, que o mandou conversar com a pessoa que estivesse à sua direita e só depois com ela.

Embora seja o soberano do universo, Deus não espera que sejamos formais em nosso diálogo com Ele. Porém, com o “Pai nosso”, Jesus nos ensina que a oração tem algumas características básicas.

Em primeiro lugar, devemos dirigir nossa prece a Deus, o Pai. Ao nos aproximar­mos dele, é preciso ter em mente toda a sua soberania e, de nossos lábios, deve fluir louvor e adoração por tudo o que Ele representa. Sem usar de repetições des­necessárias, é preciso iniciar nossa conversa com o rei do universo com glorificação ao nome dele.

Com o coração cheio de humildade e reverência pela grandeza de Deus, po­demos, então, apresentar os pedidos, que devem manifestar nossas necessidades. Deus sabe do que precisamos, mas Ele quer que nos aproximemos dele com fé e expressemos nossas petições.

No “Pai nosso”, Jesus nos ensina a apresentar diante de Deus tanto necessidades espirituais quanto materiais. Ele disse primeiro “santificado seja o teu nome” e “venha o teu reino” (necessidades espirituais) e só depois o “pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (necessidade material). A ordem em que aparecem os pedidos na oração-modelo revela qual deve ser a prioridade da vida. Com a expressão “faça-se a sua von­tade assim na Terra como no Céu” (ARA), o Senhor ensinou que podemos pedir, mas precisamos confiar que Deus sempre sabe o que é melhor. Ao orarmos em nome de Jesus, podemos ficar tranquilos, pois Deus, o Pai, vai nos dar o que daria a seu Filho.

O “protocolo” da oração é simples: reconheça a grandeza de Deus, glorifique o nome dele, peça de acordo com a vontade dele e confie na misericórdia divina. Fique tranquilo, pois o rei do universo fala ao mesmo tempo com quem está à direita e à esquerda.


Amor e respeito – 17 de março 2017


Pai nosso, que estás nos Céus. Mateus 6:9, ARA

O vocativo da oração-modelo, “Pai nosso que está nos Céus”, revela o Deus ao qual oramos, indica quem são. os verdadeiros filhos do Pai celestial e ensina como devemos nos apresentar diante dele.

Deus é um ser pessoal, não uma energia. Ele é o Pai, e isso deve trazer à nossa mente o sentido de proteção, provisão, cuidado e amor. Porém, muitas pessoas têm um conceito ruim de pai por conta de maus-tratos, indiferença e abandono. Martin Lloyd Jones explica que a expressão “que estás nos Céus” tira o conceito de paternidade da dimensão do pecado e da Terra e a eleva até o Céu, onde só reina o amor. Jones diz que essa expressão equivale a de Paulo, que chama Deus de “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Pedro 1:3). Ou seja, não estamos falando de qualquer pai, mas do maravilhoso Pai de Jesus, que está no Céu.

Ao ensinar a usar o pronome possessivo “nosso” em relação a seu Pai, Jesus nos estimula a ser carinhosos com Deus e considerá-lo como nosso Pai também. Em Cristo, fomos adotados na família celestial. Entretanto, sem o novo nascimento, ninguém pode se considerar filho de Deus. O Pai criou todas as pessoas, mas só é considerado seu filho quem nasceu de novo (João 1:12).

A expressão “que está nos Céus”, além de deixar claro quem é o Pai, ajuda-nos também a manter reverência para com Deus, pois revela sua grandeza, poder e soberania. Vivemos em um tempo em que o respeito anda em baixa, inclusive em relação a Deus.

Há quem acredite que pode tratar o rei do universo de qualquer forma, apre­sentar-se diante dele de qualquer maneira, usar expressões como “Deus é dez”, o “cara lá de cima” e outras blasfêmias mais. O fato de o Pai estar no Céu deve nos fazer lembrar de que Ele é o criador e mantenedor do universo. Portanto, devemos respeitá-lo como a pessoa mais importante que existe.

Para nós, Deus é um Pai amoroso e poderoso. Ele está perto e longe ao mesmo tempo. Senta-se no trono de nosso coração, mas domina sobre o universo.

Por isso, ao orar a Deus hoje, ofereça todo o seu amor ao querido Pai, mas tam­bém se apresente diante dele com profundo respeito. Assim, você vai ser reconhe­cido como filho do Senhor do universo.


Os nomes de Deus – 18 de março 2017


Santificado seja o teu nome. Mateus 6:9, ARA

Nos tempos bíblicos, o nome era usado para definir a personalidade. Assim, ao nomear os filhos, os pais indicavam que tipo de gente eles esperavam que os filhos se tornassem. Portanto, na Bíblia há uma relação estreita entre a pessoa e seu nome. Com Deus não é diferente, e isso fica bem claro quando nos damos conta de que o terceiro mandamento da lei refere-se à santidade do nome de Deus e à proibição de tomá-lo em vão.

Na oração-modelo, Jesus reforça isso ao nos instruir a orar pela santificação uni­versal do nome de Deus. Em geral, os cristãos sabem da importância de não tomar o nome de Deus em vão e procuram honrá-lo. No entanto, a triste realidade do mundo aponta para o fato de que existem muitas pessoas que não conhecem o nome de Deus, além de outros que conhecem, mas o desonram.

A frase “santificado seja teu nome” deve ser o desejo profundo de todo cristão. Além de orarmos nesse sentido, podemos agir para que as pessoas que estão à nossa volta reverenciem e exaltem o nome de Deus.

Muito mais do que não pronunciar o nome do Senhor em situações indevidas e corrigir as pessoas quando fazem isso, é nosso dever evidenciar para o mundo a relação estreita que existe entre o nome de Deus e sua personalidade.

No Antigo Testamento, Deus é conhecido por vários nomes, cujos significa­dos revelam facetas de seu caráter. Por exemplo, Elohim aponta para o seu poder; Jeová refere-se à sua eternidade e à sua autoexistência; Jeová-Jiré apresenta-o como provedor; Jeová-Rafá, como o Deus que cura; Jeová-Nissi, o Deus que perdoa; Jeová-Shalom, o Deus da paz, entre outros.

Quando conhecemos a pessoa de Deus, experimentamos seu poder em nossa vida, reconhecemos sua eternidade, provisão, cura, perdão e paz. Ao divulgarmos Isso para outras pessoas, estamos agindo para que o nome do Senhor seja santi­ficado e honrado. As pessoas olham para nossa vida e podem ver quem Deus é e, assim, conhecer a grandeza de seu nome.

O nome de Deus é santo; mas, em sua infinita misericórdia, o Senhor o comparti­lhou conosco. Ore a Deus hoje para que, por meio de seus pensamentos, palavras e atitudes o nome do Senhor seja conhecido e santificado na vida de outras pessoas.


Refugiados – 19 de março 2017


Venha o teu reino. Mateus 6:10, ARA

No momento em que escrevo este texto, o mundo está consternado com uma imagem: a foto do menino Aylan, de três anos, morto numa praia da Turquia. Com os pais e o irmão, ele fugia de seu país devastado por uma guerra insana. Eles es­tavam em uma embarcação precária que acabou naufragando no mar Mediterrâneo.

O relato do pai, que perdeu a esposa e os dois filhos é de cortar o coração: “As mãos dos meus filhos se soltaram das minhas.” Fugindo do terror da guerra em seu país e em busca de um lugar melhor, essa família encontrou a morte. Entretanto, a imagem do menino “dormindo” na praia se tornou o símbolo da luta dos refugia­dos. Somente em 2015, cerca de 2.500 imigrantes morreram afogados no Mediter­râneo em busca de um lugar seguro para viver.

A tragédia acima se une a milhões de outras que assolam o mundo desde que Satanás estabeleceu aqui seu reino de maldade. Por meio da mentira, ele enganou nossos primeiros pais, que entregaram o planeta para o enganador pelo custo da desobediência. Desde então, somos vítimas e agentes do pecado e vivemos no ter­ritório em que as forças rebeldes do inimigo dominam. Por isso, na oração-modelo, Jesus ensinou que a prioridade da vida do cristão é clamar para que o reino de Deus seja estabelecido no mundo.

No entanto, faz parte da estratégia do inimigo nos fazer imaginar que é possível ser feliz no mundo dominado pelo pecado. Usando prazer e poder como isca, ele seduz milhares de pessoas com a falácia de uma felicidade que não chega nunca de verdade.

Nosso planeta está assolado pela guerra do pecado. O exército de Satanás faz ví­timas fatais a cada dia. Como Aylan e sua família sonhavam com um país em paz para viver, devemos desejar um mundo renovado.

Em breve, Jesus virá nos buscar e vai nos levar como “refugiados” para viver no Céu com Ele durante mil anos. Depois desse período, voltaremos para a Terra e viveremos para sempre sob o regime do amor de Deus. Para quem deseja ser um “refugiado” no Céu, o Senhor estabeleceu um plano seguro de imigração. Ele é nosso Pai e, se lhe dermos a mão, jamais iremos afundar no mar da vida.

Se você está cansado deste mundo de imagens como a do garotinho que mor­reu na praia em busca de um “reino” melhor, una-se a milhares de outros “refugia­dos” e exclame: “Que o teu reino venha logo, Senhor Jesus!”


Vontade – 20 de março 2017


Seja feita tua vontade. Mateus 6:10, ARC

Grandes investidores financeiros dificilmente tomam decisões sobre onde vão colocar seu dinheiro antes de consultar analistas de mercado. Sem uma con­sultoria assim, é arriscado saber se o investimento vai, de fato, render o que se espe­ra. Se isso é importante para as finanças, imagine para a vida eterna.

Deus conhece com exatidão todas as coisas, inclusive o futuro. Para que seja­mos felizes, Ele deseja que nos submetamos à sua vontade. Fazer o que Deus quer é ter a certeza de que as coisas vão acabar bem. Porém, ele não nos trata como marionetes. Nós fomos criados com o livre-arbítrio, e o Senhor respeita as escolhas que fazemos.

Na oração-modelo, Jesus ora para que, na Terra, a vontade de Deus seja seguida assim como ocorre no Céu. Depois da entrada do pecado, a humanidade se tornou rebelde e naturalmente contrária a Deus. No entanto, os anjos se alegram em fa­zer a vontade do Pai, pois sabem que, se as coisas acontecem como Deus planeja, o resultado é bênção e felicidade.

O cristão às vezes parece tatear no escuro sem saber exatamente o que fazer. À medida que a humanidade se aprofunda na maldade, vai ficando ainda mais di­fícil saber o que Deus pensa sobre as coisas. Há um abismo entre a vontade natural do ser humano e a vontade divina.

Para não errarmos, o apóstolo Paulo aconselha: “Não vivam como vivem as pes­soas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aqui­lo que é bom, perfeito e agradável a ele” (Romanos 12:2). Quando escolhemos viver com base no padrão das Escrituras, abrimos nossa mente para a dimensão celestial, conseguimos perceber as intenções de Deus e entendemos a lógica do que Ele pede.

Devemos sempre confiar na bondosa e sábia vontade de Deus, pois, como dis­se Ellen White, Ele “não conduz jamais seus filhos de maneira diferente da que eles escolheriam se pudessem ver o fim desde o princípio, e discernir a glória do propó­sito que estão realizando como seus colaboradores” (A Ciência do Bom Viver, p. 479).

Faça uma consultoria com Deus para tudo na vida e, assim, você pode estar seguro de que seus “investimentos” para a vida eterna renderão mais do que o esperado.


O pão nosso – 21 de março 2017


O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Mateus 6:11, ARA

Comer é a mais forte necessidade humana. Para não morrer de fome, a humani­dade sempre tem uma estratégia. Do choro do bebê ao trabalho mais braçal, passando pela ciência e pelas artes, há, em via de regra, alguém lutando para não ter a barriga roncando. A coisa é tão séria que a história registra guerras por comida. De acordo com o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, em uma entrevista conce­dida em 2014, o cenário pode caminhar de novo para essa realidade. Ele afirmou que, se não houver uma mudança na forma como o homem se relaciona com a natureza, num futuro próximo, as guerras serão motivadas por conta da falta de comida e água.

Na oração-modelo, a famosa frase “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje” situa em Deus a fonte do sustento humano e tira de quem crê na bondade divina a an­siedade pela manutenção da vida.

Isso não significa que o cristão não deva trabalhar e que possa ficar esperando a comida cair do céu. O que Jesus está dizendo é que o “pão de cada dia” sempre vem de Deus. É Ele quem nos dá força e inteligência para o trabalho e garante as condições apropriadas na natureza para que o alimento possa ser produzido. Por outro lado, a Bíblia revela que, em situações completamente adversas, Deus mesmo se encarregou, de modo direto, do alimento de seus filhos.

Durante a jornada do povo de Israel pelo deserto, o Senhor fez cair o maná do céu. No período em que teve que se esconder da ira de Acabe e Jezabel, o profeta Elias foi servido por corvos-garçons da parte de Deus, para que sua necessidade de proteína e carboidrato fosse satisfeita todos os dias. Além disso, a Bíblia diz: “Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado, nem seus filhos men­digando o pão” (Salmos 37:25, NVI). Quando a situação, mais uma vez, for extrema para o povo de Deus, o cristão poderá descansar na promessa de que seu pão e sua água serão certos (Isaías 33:16).

Essa parte da oração-modelo também nos ajuda a confiar na renovação diária das misericórdias do Senhor e nos mantém livres da ansiedade que adoece milha­res de pessoas que vivem com medo do que pode faltar no futuro.

Se confiarmos em Deus e vivermos com responsabilidade, poderemos descan­sar na providência divina e, assim, não nos tornaremos reféns do medo de não ter o sustento para o amanhã. Por isso, confie: o “Pai nosso” é quem garante o “pão nosso”!


Espelho – 22 de março 2017


Perdoa as nossas dívidas assim como perdoamos aos nossos devedores. Mateus 6:12, NVI

Perdão é uma palavra linda, principalmente para quem o recebe. Contar com uma nova chance depois de vacilar com alguém dá à vida um toque de amor e esperança. Ocorre que, em nossa cultura, em geral, não estamos predispostos a perdoar. O paradoxo é que amamos o perdão, mas para nós.

O aluno suplica que o professor não o mande para a coordenação após ter desrespeitado uma regra clara de convivência em sala de aula. Sente-se aliviado pela nova chance. Entretanto, o mesmo garoto é implacável com o colega que, sem querer, esbarrou nele no intervalo. Amamos ser compreendidos, mas somos lentos em compreender os motivos dos erros dos outros.

Isso se chama incoerência. Queremos para nós o que não estamos dispostos a oferecer. Quem tem dificuldade em perdoar, em geral, não está aberto para enten­der os motivos por detrás de algumas atitudes de que não gosta. Desconsideram possíveis problemas que o ofensor possa ter tido, que poderiam explicar o ocorrido.

E isso se aplica também à nossa relação com Deus. Não queremos carregar o fardo de nossos pecados e ficamos muito alegres com a oferta gratuita de perdão de Deus. Porém, temos pouca disposição de compartilhar graça com quem erra conosco.

No Pai nosso, Jesus nos dá um nó. Ele nos ensina a orar mais ou menos assim: “Deus, me perdoe do mesmo jeito que eu perdoo as pessoas que vacilam comigo.” Essa oração nos coloca contra a parede de nosso egoísmo e, ao mesmo tempo, põe em nossas mãos a única chave que abre a porta do perdão divino.

Pessoas que guardam mágoas estão dizendo, em outras palavras, para Deus: “Eu não recebo o teu perdão, do mesmo jeito que quem erra comigo não receberá o meu. Guarde teu perdão então, pois eu vou ficar com meu rancor.”

Em realidade, qualquer pessoa que entenda com profundidade o tamanho da dívida que tinha com Deus e que tome conhecimento do esforço descomunal de Jesus para pagar esse preço não considerará nada que alguém lhe faça tão grave que não possa ser perdoado.

Que a nossa oração hoje seja: “Deus, ajuda-me a entender o tamanho do teu perdão para que eu perdoe como Jesus tem me perdoado!”


Queda – 23 de março 2017


E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Mateus 6:13, NVI

Um pouco antes de escrever este texto, presenciei minha filha Ana Clara, de três anos, levar uma pequena queda na sala de nossa casa. Havia alguns minutos, minha esposa tinha dito: “Ana, não desça do sofá agora, porque o piso está molha­do.” Desobedecendo, ela desceu, é não deu outra: Tibum! Ainda bem que não se machucou, mas o choro de dengo, potencializado pelo sono que se aproximava, foi inevitável. Se a minha filha tivesse ouvido a orientação da mãe, não teria caído.

Lembro-me de outra queda, quando ela estava com um ano, aprendendo a an­dar. Minha esposa havia pedido para eu não desgrudar da Ana, porque ela poderia cair. Eu estava feliz por ajudar minha filha a andar.

Então, minhas costas começaram a doer de tanto ficar inclinado, segurando as mãos daquele pingo de gente. Foi aí que a “libertação” apareceu. A Ana soltou da minha mão e passou a se escorar na cama. Fiquei orgulhoso e aliviado pela “incrível” capacidade de minha filha de andar segurando nas coisas.

Um segundo de distração, e ela foi com o rosto no chão. Até hoje, mais de dois anos depois, ainda posso ouvir o choro desesperado de minha filha e quase sinto a dor que ela expressava por ter batido a boca no piso do quarto. Porém, minha maior dor é o fato de eu ter soltado a mão dela. Felizmente nada mais grave acon­teceu, mas aquela queda não sai de minha memória.

Esse é um tipo de dor que Deus nunca vai experimentar em relação a nós. Para Ele, somos como crianças. Além de nos avisar que o piso do mundo é escorregadio por conta do pecado, Ele sempre está, incansavelmente, ao nosso lado, segurando nossa mão para impedir que caiamos.

Contudo, Ele não nos força a segurar sua mão quando achamos que já somos grandes o suficiente para contar com a ajuda dele. Na oração do Pai nosso, Jesus nos estimula a orar para que Deus sempre esteja ao nosso lado, evitando nossa queda e nos livrando do mal.

É provável que o dia de hoje apresente diante de você caminhos escorregadios pela tentação e cheios de curvas que podem lhe apresentar as facetas más da vida. Por isso, não saia de casa sem orar com fé para que o Pai celestial não o deixe cair e para que Ele livre você de tudo o que é mau.


Ladrões – 24 de março 2017


Não ajuntem riquezas aqui na Terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam. Mateus 6:19

Na minha infância tive duas fatídicas experiências com ladrões. A primeira foi o furto da sonhada bicicleta freestyle da Caloi, que havia ganhado de presente do meu pai, por volta dos sete anos. A segunda foi o assalto em que foi levado um relógio G-Shock, que “ostentava” por volta dos dez anos.

Confesso que perder esses dois objetos doeu muito para mim, mas de maneiras diferentes. Logo que ganhei a bicicleta, cuidava bastante dela e sempre me preo­cupava em guardá-la em um local seguro à noite. Com o passar do tempo, fui me acostumando a ela e comecei a relaxar no cuidado. Meu pai me avisou a respeito disso, mas eu não liguei muito para o conselho dele.

Um dia de manhã, acordei e fui procurar a bike para dar uma volta. Não a achei. Vasculhei toda a casa e não a encontrei. Só aí fui me dar conta de que a havia dei­xado no quintal, e um ladrão a havia levado. Nunca mais a vi. Chorei, naquele dia, porque não havia cuidado do presente que ganhara de meu pai.

O caso do relógio foi ainda pior. Por volta dos meus dez anos, o relógio G-Shock era meu sonho de consumo. Depois de muito pedir, meu pai me deu um.

Naquela época, eu estudava na Escola de Música do Espírito Santo, localizada no centro de Vitória. Eu ia sozinho para lá, com muitas recomendações de minha mãe. Quando ganhei o relógio, ela disse: “Vinícius, não vá com seu relógio para a aula de mú­sica, pois no centro da cidade ficam muitos trombadinhas. Eles vão roubá-lo de você.”

Fiz que ouvi a recomendação dela, mas no dia da aula, escondi meu G-Shock para que ela não o visse e fui para a escola louco para que todo mundo olhasse para o meu braço esquerdo e visse o “poder” da minha ostentação.

Se as pessoas na escola o viram, não falaram nada. Porém, ao me dirigir ao pon­to de ônibus, alguém viu muito bem meu G-Shock e me disse algo que eu nunca esqueci: “Passa o relógio!” Entreguei meu “tesouro” e tive que explicar para minha mãe a minha desobediência.

Perder as duas “riquezas” de minha infância para os ladrões me ensinou que os valores verdadeiros devem ser guardados no cofre do coração e o que não cabe no nosso peito pode ser roubado. Entendi que o verdadeiro tesouro é Jesus. Se o colocarmos no centro da vida, “ladrão” nenhum o tirará de nós.


Tesouro – 25 de março 2017


Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês. Mateus 6:27

Meu primeiro trabalho assalariado foi como office-boy. Trabalhava meio pe­ríodo em um escritório de advogados e ganhava a “fortuna” de meio salário mínimo. Aquela era uma época difícil, e os negócios do meu pai não iam nada bem. Depois do primeiro mês de trabalho, estava ansioso para receber o dinheiro, fruto das minhas caminhadas pelo centro de Vitória, ES, carregando uma pesada bolsa cheia de processos judiciais e enfrentando filas quilométricas em bancos.

Meu dinheiro seria útil para ajudar nas despesas de casa. Entretanto, outro motivo me deixava ainda mais ansioso pelo pagamento. Eu havia feito um pacto com Deus, se­gundo o qual devolveria o dízimo e entregaria como oferta 7% sobre o que recebesse.

Finalmente o grande dia havia chegado. Recebi e fui direto para casa cheio de alegria. A primeira coisa que fiz foi cumprir o trato. Ajoelhei-me à beira da cama, coloquei todo o dinheiro sobre o colchão e, literalmente, separei o que era de Deus do que havia ficado para eu administrar; de um lado, coloquei o dízimo e as ofer­tas; do outro, o restante. Estava muito emocionado. Fiz uma oração ali e supliquei que Deus aceitasse o que eu estava entregando.

Como era uma quarta-feira, fui à igreja com o envelope de dízimo, pois não conseguia esperar até o sábado. Durante os momentos de pedidos e agradecimen­tos do culto, eu me levantei e expressei em público minha gratidão a Deus pelo privilégio de poder adorá-lo por meio dos dízimos e das ofertas.

Ao final do culto, fui procurado por um senhor que reconhecia que havia deixado de devolver os dízimos, porque havia perdido a confiança no cuidado de Deus. Po­rém, por conta do que havia ouvido naquela noite, resolvera voltar a ser fiel a Deus.

Desde aquela quarta-feira, dizimar e ofertar tem sido a minha rotina mensal. E posso testemunhar que nada do que é essencial tem faltado para minha família. Muito pelo contrário, Deus tem derramado bênçãos sem medida sobre nós.

Entendi que não era a “fortuna” do meu primeiro salário que resolveria meus problemas. Para mim, naquela quarta-feira, estava claro que eu precisava depender de Deus, e, assim, Ele cuidaria do resto.

Deus não precisa do dinheiro de ninguém, mas o uso de nossos recursos indica onde está o nosso coração. Resolva hoje entregar completamente sua vida a Jesus e, assim, você se sentirá muito feliz ao devolver a Deus o que lhe pertence.


Olhos iluminados – 26 de março 2017


Os olhos são como a luz para o corpo. Se os seus olhos forem bons, haverá luz em todo o seu corpo. Mas se seus olhos forem maus, seu corpo estará em profunda escuridão espiritual. E como essa escuridão pode ser terrível! Mateus 6:22, 23, Nova Bíblia Viva

Um dos desenhos animados mais assistidos da minha época de infância era DuckTales, o caçador de aventuras. Tio Patinhas e seus sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luizinho, eram responsáveis por salvar a cidade de Patópoles dos criminosos.

Em cada episódio, a trama girava em torno do egoísmo e da ganância do Tio Patinhas que, por conta de seu amor ao dinheiro, não conseguia enxergar a neces­sidade de agir para salvar a cidade, colocando, por isso, em risco a própria vida, as finanças e a cidade. Seus olhos espelham cifrões diante de uma proposta de ganhar mais dinheiro. Cego pela grana, ele não enxerga os problemas. Só quando se livra do egoísmo, ele age como herói.

Esse personagem tem a capacidade de ilustrar a condição de muita gente quando o assunto é dinheiro. Para ter rendimentos cada vez maiores, há pessoas que estão dispostas a explorar os outros, trapacear e até agir com violência.

Deus não condena as riquezas. Na verdade, se as orientações bíblicas forem seguidas, é natural que a prosperidade seja uma realidade na vida. A advertência da Palavra de Deus é contra a ganância: “Pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os tipos de males. Algumas pessoas até voltaram as costas a Deus por causa do amor ao dinheiro e, como resultado, afligiram a si mesmas com muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:10, Nova Bíblia Viva). É por isso que Jesus é claro: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mateus 6:24, Nova Bíblia Viva).

Só enxergando cifrões como o Tio Patinhas, algumas pessoas acabam em trevas espirituais. Cegas pelo dinheiro, não conseguem perceber o risco que correm nem a condição real do mundo.

Se nossos olhos brilharem com a luz de Deus, poderemos ver o que “olho ne­nhum viu, ouvido nenhum ouviu, nem jamais o coração do homem percebeu, as coisas maravilhosas que Deus preparou para aqueles que amam o Senhor” (1 Coríntios 2:9, Nova Bíblia Viva).

Não permita que os cifrões cegos do amor ao dinheiro tirem sua possibilidade de enxergar a realidade. Ilumine seus olhos com o amor de Deus e veja o que ninguém jamais viu.


De volta para o presente – 27 de março 2017


Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida. Mateus 6:25, ARA

“Para onde vamos, não precisamos de estrada”, foi o que falou o Dr. Brown para Marty Macfly ao chegar à longínqua data de 21 de outubro de 2015, no segundo filme da trilogia De Volta para o Futuro, lançado em 1989. Os autores, Robert Zemeckis e Bob Gale, imaginavam que, no futuro, haveria não apenas carros voadores movidos a lixo, mas roupas e calçados ajustáveis automaticamente ao cor­po, entre outras coisas. Quase 30 anos se passaram, e nada disso aconteceu ainda.

Em realidade, o futuro chegou e não parece tão extraordinário como pensá­vamos. Isso significa que a melhor coisa a fazer é viver o presente, aprendendo do passado e nos preparando para o que vem pela frente, sem ansiedade.

No campo espiritual, a raiz da ansiedade é a incredulidade. Duvidar de que as promessas de Deus poderão se cumprir na vida faz com que muita gente seja corroí­da pelo medo do futuro. Glutonaria, consumismo e perversão são alguns dos sinto­mas da ansiedade. Muita gente assalta a geladeira, compra o que não precisa e pra­tica atos vergonhosos em “viagens” alucinógenas com medo do que o futuro trará.

A história do patriarca Jacó está recheada de lições sobre a ansiedade. Antes de ele nascer, estava profetizado que receberia a bênção da primogenitura no futuro. Du­vidando que isso pudesse acontecer, Jacó cometeu os mais graves erros de sua vida.

Comprou o direito da primogenitura do irmão com um prato de lentilhas e enga­nou o pai se passando por Esaú. Ellen White diz o seguinte, evidenciando a ansieda­de do patriarca: “Jacó, ponderado, diligente e cuidadoso, [pensava] sempre mais no futuro do que no presente. […] Dia e noite, o assunto lhe ocupava os pensamentos, até que se tornou o interesse maior de sua vida” (Patriarcas e Profetas, p. 121, 122). A ansiedade prejudicou bastante a vida de Jacó. Ele poderia ter evitado muito sofri­mento se tivesse acreditado que Deus tem poder de cumprir o que promete.

No sermão do monte, Jesus nos vacina contra a ansiedade. Ele garante que nos­so Pai celestial cuida de todas as nossas necessidades. Comida, bebida, roupa e tudo o que de fato precisamos serão providenciados por Deus. Nossa parte é sim­ples: “Coloquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e Ele dará a vocês todas essas coisas” (Mateus 6:33, Nova Bíblia Viva).

Não caia na tentação de entrar na máquina do tempo da ansiedade. Se quiser ser feliz, aterrisse no presente da confiança em Deus. Assim, seu futuro estará garantido.


Julgamento – 28 de março 2017


Não julgueis, para que não sejais julgados. Mateus 7: 1, ARA

“Ele não vai dar em nada na vida. Será um fardo para a família!” Esse foi o severo veredito da vizinha a respeito do adolescente que estava passando por alguns problemas. Saber desse comentário maldoso feriu o coração do rapaz, que decidiu provar, com todas as suas forças, que aquela maldição não se cumpriria. Ele se tornou um pastor e, ao contrário daquela previsão terrível, tem ajudado sua família em tudo o que pode.

No relato acima, vemos o exemplo de uma pessoa condenando outra. É sobre isso que Jesus está falando no versículo bíblico da meditação de hoje. Porém, existe gente que pensa que o Senhor estava ensinando que nós não podemos avaliar as atitudes dos outros. Isso seria uma contradição com algumas lições de Jesus, como “pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16, ARA), entre outras. Não há nenhum problema em raciocinar, perceber atitudes erradas e se precaver em relação a pessoas más; porém, condená-las ao fracasso ou mesmo à perdição não compete a nós.

Quem age dessa forma está, na verdade, infringindo um mandamento de Jesus e se tornando, assim, réu no tribunal celestial. Condenar pessoas é uma coisa que Deus fará com muito cuidado, depois de ter dado todas as chances de arrependi­mento. Por isso, gente que se precipita em julgar o próximo e não se arrepende disso não será absolvido no justo julgamento divino.

Muitas vezes, somos rápidos em rotular pessoas e as “tiramos” do Céu por conta de preconceitos que nutrimos. “Todo muçulmano é terrorista.” “Se não segue a mi­nha religião já está perdido.” “Essa raça é perigosa.” “Esse tipo de gente não tem jei­to.” Frases assim, em geral, aparecem na boca de quem gosta de condenar os outros.

Temos o dever de usar nosso discernimento. Discernir é a capacidade de avaliar com base em informações corretas. Usar ideias preconcebidas para definir a identidade de uma pessoa é não usar a capacidade humana de avaliar cada caso. Além disso, determinar o que uma pessoa é com base em um erro que ela tenha cometido é condená-la de modo precipitado. Deus não faz isso e espera que nós também não façamos. Enquanto a porta da graça estiver aberta, Ele dá sempre a chance de arrependimento. Seu desejo é salvar.

Por isso, use sua capacidade de pensar e avaliar sempre para o bem. Não con­dene as pessoas. Aja como Deus, deixando sempre aberta a porta da esperança na Vida dos outros. Quem age assim é absolvido no julgamento do Céu.


Tragédia – 29 de março 2017


E por que se preocupar com um cisco no olho de um irmão, quando você tem uma tábua no seu próprio olho? Mateus 7:3, Nova Bíblia Viva

“Em caso de despressurização, máscaras individuais de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas para liberar o fluxo, coloque sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico e respire normalmente. Auxilie crianças ou pessoas com dificuldade somente após ter fixado a sua.”

Como as aeronaves voam em altitudes elevadas, onde o ar é rarefeito e impos­sível de respirar, nos voos, usa-se a pressurização, que comprime o ar atmosférico, permitindo a respiração na cabine. Se a pressurização for interrompida, só é possível respirar com a máscara de oxigênio. Somente com ela ajustada, uma pessoa pode ajudar, de fato, quem está com dificuldade.

Jesus desmascara a hipocrisia de querer colocar “máscaras de oxigênio” nos ou­tros quando os próprios pecados estão causando asfixia espiritual. “Quem come carne não vai entrar no Céu”, brada o pregador, glutão inveterado que esconde vícios sexuais vergonhosos. Os erros que condena parecem pequenos ciscos se comparados com as imensas tábuas de seus pecados.

Em geral, os erros dos outros se apresentam bem maiores e mais repugnantes do que os nossos. Repudiamos falhas alheias, mas somos complacentes com as próprias vergonhas, para as quais sempre encontramos desculpas e justificativas. Escondemo-nos facilmente atrás de máscaras fingidas, apenas para nos sentirmos melhores do que os outros. O nome disso é hipocrisia.

No teatro grego, os atores eram chamados de hypochrités. Esse termo não tinha a conotação negativa atual. O sentido de hoje vem do fato de que a função de ator na Grécia antiga envolvia o uso de máscaras que escondiam o verdadeiro estado de espírito da pessoa e se adaptavam à proposta da peça. No drama, os atores usavam máscaras tristes; na comédia, máscaras felizes. Na tragédia da religião falsa, o ímpio se esconde atrás de dedos apontados para os outros, que tentam impedir a visão da própria realidade.

No palco da vida, não há espaço para parecermos o que não somos. Quem tenta colocar “máscaras de oxigênio espiritual” nos outros antes de se arrepender dos pecados que comete pode se sufocar em hipocrisia. Deixe Jesus tirar a trave/ máscara de sua vida e, assim, você poderá realmente ajudar os outros a se livrarem de seus ciscos incômodos.


Resposta imediata – 30 de março 2017


Porque todos aqueles que pedem recebem; aqueles que procuram acham; e a porta será aberta para quem bate. Mateus 7:8

O sonho do meu grupo de amigos era ingressar na universidade federal de nos­so estado. Havíamos estudado em um cursinho pré-vestibular durante todo o ano. Entre nós, havia um amigo mais velho, que estava enfrentando sérios proble­mas na vida e enxergava na aprovação uma porta aberta de bênçãos para o futuro.

A casa dele era bem perto da minha. No horário combinado, eu e minha irmã nos dirigimos até o carro, onde o esperaríamos para seguirmos juntos para o local de provas.

Não podíamos nos atrasar; porém, ele estava demorando. Depois de cinco minu­tos, preocupado, resolvi subir até sua casa para chamá-lo. Quando desci do carro, já pude ouvir os gritos e o choro. Mais que depressa, entrei na casa e fui direto ao quarto dele. Seus pais, idosos, tentavam ajudar, mas se sentiam completamente incapazes.

“Essa era a minha grande chance, e eu a desperdicei”, ele chorava muito, sentin­do intensificado nos ombros todo o peso da grande crise pela qual passava.

Ele havia perdido o cartão de inscrição da prova, sem o qual não poderia prestar o vestibular. O quarto estava todo revirado, roupas espalhadas, livros bagunçados, pilhas de CDs desalinhadas, e o desespero instalado. “Eu perdi, eu perdi, não tem mais jeito, já procurei em todos os lugares possíveis”, era o veredito de sua derrota.

Em uma fração de segundos, veio à minha mente a única coisa que eu poderia fazer com o pouquíssimo tempo que tínhamos até o início da prova. Caí de joelhos e comigo minha irmã, ele e sua mãe. O pai dele, cético, preferiu sair para não parti­cipar da oração, mas ficou ouvindo a distância.

Foi uma das preces mais curtas que fiz; porém, havia um clamor profundo, vin­do do coração. “Meu Deus, para que somente o teu nome seja glorificado, eu supli­co que Tu mostres onde está o cartão, para que todos saibam que tu és Deus”! Eu orava pensando na glória divina e na descrença do pai de meu amigo.

Nenhum de nós havia levantado ainda, quando, como num passe de mágica, meu amigo retirou o cartão de entre os CDs, onde ele já havia procurado sem achar. “Louvado seja Deus!”, era a frase entre lágrimas de todos nós. Para mim, foi emocio­nante, anos mais tarde, ir à formatura dele, e lembrar que Deus abre portas quando Clamamos para que seu nome seja exaltado.


Caminhos – 31 de março 2017


Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela). Mateus 7:13, ARA

Serpenteando uma montanha de 4.700 metros de altura e com apenas três de largura, a estrada Caminho a los Yungas, na Bolívia, tem a fama de ser uma das mais perigosas do mundo. Conhecida como “caminho da morte”, essa estreita via recebe muitos turistas, atraídos pelas incríveis belezas naturais que só os corajosos conseguem ver. Ladeada por um paredão de pedra e por imensos precipícios, seu percurso turístico é feito com bicicleta e pouca bagagem. Se não for assim, o risco de morte é ainda maior.

Jesus compara a jornada rumo ao Céu com o fato de alguém escolher seguir por uma estrada estreita, iniciada em uma porta apertada. A intenção do Senhor foi ensi­nar que a vida cristã não é fácil e que, ao seguir no caminho da salvação, encontramos os obstáculos que a lei de Deus impõe aos nossos desejos pecaminosos naturais.

A porta apertada da estrada impede que as pesadas bagagens às quais nos apegamos sigam conosco. Imagine alguém tentando passar por uma porta bem pequena com grandes malas. Se de fato quer entrar, deve abrir mão dessas coisas. Da mesma forma, devemos nos livrar “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, [e correr], a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1, ARA).

Por outro lado, o caminho largo não impõe nenhuma restrição. Quem quiser andar por ele terá plena liberdade para fazer o que bem entender e dar vazão a todas as in­clinações pecaminosas. Não conhecerá o que significa respeito à autoridade divina, es­tará entregue aos prazeres, aos impulsos violentos e corruptos com o quais nascemos.

A porta larga é bem mais procurada que a estreita. Imediatistas, milhares de pessoas só conseguem enxergar os “benefícios” do prazer a curto prazo e não per­cebem a loucura de suas escolhas. O fim dessa estrada é morte eterna.

À porta do caminho estreito, está Jesus nos convidando para entrar. Ele diz: “Fi­lhos, deixem essas bagagens de pecado aí. Vocês não precisarão delas para serem felizes. Não tenham medo dos obstáculos da estrada, Eu estarei com vocês em todo o tempo. E o ponto de chegada dessa jornada é a vida eterna.”

Ao contrário do Caminho a los Yungas, a estrada estreita de Jesus é também conhecida como o caminho da vida. Então, esqueça suas bagagens, viaje por ela e você será muito feliz!

Read Offline:

Comentários no Facebook