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MEDITAÇÃO POR – DO – SOL

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 Meditações para o  Por-do-Sol 2017 

Um Pôr-do-sol na Janela 10/40

Versão Livro Completo – Clique na imagem acima


Apresentação A cada ano a meditação para o pôr do sol se consolida ainda mais como um material indispensável no recebimento do sábado.  Nota-se que as famílias que usam este material cada vez mais se empolgam com os relatos de fé e esperança. Os testemunhos  mostram os milagres e prodígios que Deus tem operado no meio de Seu povo. Ao ler cada um deles não se poderia imaginar outro título a não ser: Pérolas para o Dia do Senhor. O Senhor tem atuado de diversas maneiras e em diferentes situações, e isso comprova Sua ilimitada bondade para com Seus filhos. Em todos os territórios da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia podem ser vistas as maravilhas do Pai celestial. A cada semana, recebam o sábado em meditação, unindo-se aos filhos de Deus neste continente. Desejamos que estes testemunhos aproximem mais e mais você e sua família do Criador, e que as horas sagradas do sábado sirvam para estreitar sua comunhão com Ele.

Com apreço,
Ministério de Mordomia Cristã
da Divisão Sul-Americana


Conceito das Meditações do Por-do-Sol

projetopt

 

A meditação para o pôr do sol tem se firmado nos últimos anos como um elemento indispensável no recebimento do sábado. O que tem contribuído para  que um  número cada vez maior de famílias use este material com tanto gosto?

Quando um testemunho é partilhado, a prática do evangelho é comunicada, geralmente em um contexto desfavorável, onde o poder de Deus é manifesto de forma diferenciada na vida. Isso agrada na todos. O testemunho é uma demonstração viva da atuação do Deus do impossível na vida de Seus filhos. Todos podem ser objetos diretos dessa realidade.

Como os testemunhos são diversificados – comunhão, saúde, sábado, cura, emprego -, de forma direta ou indireta, as pessoas se identificam com as histórias e comprovam que os milagres e prodígios também são reais em seu dia a dia.

É isso que desejamos! Que cada pessoa veja e sinta as grandes coisas que o Senhor tem feito por seu povo. Que, individualmente ou em família, pensem acerca do amor e da bondade de Deus nas horas sagradas do santo sábado, pois ele é um presente semanal do Criador.


Conceito do Livro “Um Por do Sol na Janela 10/40”

Em 2015, 25 famílias deixaram tudo rumo ao desconhecido. Toda a vida foi resumida em duas malas, um passaporte e as passagens. Embora tenham todo o suporte e investimento oficiais da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul, estão a milhares de quilômetros distantes dos pais, demais familiares, amigos, daqueles que falam o mesmo idioma, e mais ainda, dos que conhecem a Jesus.

Imagino que você tenha ouvido falar sobre estes missionários, mas tenho um convite especial. A cada sexta-feira nós queremos que você se sinta mais perto deles, conhecendo os milagres vividos dia após dia nesta região que é a mais desafiadora para o cristianismo, a chamada Janela 10/40. Conheça mais sobre o coração da Janela 10/40  Você vai se apaixonar pela missão!

Alguns temas:

A ORAÇÃO DE UMA MUÇULMANA

ATRÁS DO VÉU

TEMPESTADE DE AREIA

O SONHO

BARREIRAS DERRUBADAS

A ORAÇÃO DO XAMANISTA

MILAGRES NO FIM DO MUNDO

UMA BÍBLIA EM ÁRABE

LIÇÕES DO RAMADÃ

É nesta parte do planeta onde estão dois terços da população mundial, mas apenas 1% são cristãos. Uma região com grande percentual de habitantes (84%) vítimas da pobreza, entre elas, as crianças, 40% do total. De maioria muçulmana, hindu e budista, bilhões de pessoas nunca nem ouviram falar sobre Jesus.

“Mostrar um espírito liberal, abnegado para com o êxito das missões estrangeiras, é um meio seguro de fazer avançar a obra missionária na pátria; pois a prosperidade da obra nacional depende grandemente, abaixo de Deus, da influência reflexa da obra evangélica feita nos países afastados.

É trabalhando para prover às necessidades de outros que pomos nossa alma em contato com a Fonte de todo poder”. — (Ellen G. White, Conselho sobre Escola Sabatina, página 136)

Para a segurança desses missionários, não podemos dizer seus nomes e nem os países onde estão atuando. Identificamos apenas as regiões do Brasil que eles representam. Há locais onde por lei é proibido pregar o cristianismo e há lugares mais perigosos ainda; onde ser identificado como cristão significa prisão e até morte. São barreiras legais e outras criadas pela própria população, ocasionadas pelo preconceito e pelo extremismo religioso.

Morar e pregar nesses países é andar sobre um campo minado diariamente, atento a tudo e a todos. Imaginem a contradição: as pessoas precisam conhecer a Jesus por meio da vida desses missionários, mas eles não podem ser o reflexo de Jesus, pelo menos não de maneira aberta! Sua visão sobre testemunho pode mudar com essa leitura.

No culto de pôr do sol, ao começar cada sábado com sua família e amigos, lembre-se desses destemidos mensageiros que estão passando por provas diariamente para falar sobre Jesus e Sua breve volta.

“É Seu desígnio que, em todo lar, toda igreja e em todos os centros da obra, se manifeste um espírito de liberalidade no enviar auxílio aos campos estrangeiros, onde os obreiros estão lutando contra grandes desvantagens para comunicar a luz da verdade aos que se acham assentados em trevas.

Aquilo que é dado para iniciar a obra num campo, redunda em avigoramento da mesma em outros lugares”. (Ellen G. White, Conselho sobre Escola Sabatina, página 136)

Mateus 24:14 é o texto que dá base a este desafio, e cremos que com o poder de Deus em breve todo o mundo saberá do evangelho, e logo poderemos nos encontrar no céu. Ore pelos Missionários para o Mundo a cada pôr do sol de sexta-feira. E lembre-se: “SUA FIDELIDADE E ORAÇÃO OS MANTÉM LÁ”

Fonte retirado: http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/herber-boger/um-por-do-sol-na-janela-1040/


A ORAÇÃO DE UMA MUÇULMANA
6 de janeiro

E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis. Mateus 21:22

A notícia de que havíamos sido chamados para ser missionários além-mar nos deixou alegres. Sem pensar, resumimos nossa vida a quatro malas e partimos para o desconhecido. Em apenas três dias, havíamos conseguido moradia e escola, e estávamos prontos para mergulhar de vez no aprendizado da língua local.

Apesar de terem nos alertado previamente sobre a dificuldade de aprender um novo idioma, em pouco tempo concluímos que realmente não estávamos preparados para aquilo. Eram quatro horas diárias de curso, e ficávamos imersos em uma língua que nem de longe se parecia com o português. Isso minava nos­sas forças, porque tínhamos a sensação de que seria impossível adquirir fluência, e nos fez questionar algumas vezes se seríamos úteis naquele país.

Certo sábado, estávamos reunidos para o culto e recebemos a visita de Ayla, uma muçulmana que falava apenas o idioma local. Era a segunda vez que ela participava da reunião e, é claro, ficamos alegres com isso. Contudo, estávamos nos sentindo impotentes, sem poder compartilhar a mensagem com ela.

No momento dos pedidos e agradecimentos, abrimos o coração com outros amigos e desabafamos um pouco acerca de como o processo de aprender a lín­gua local estava sendo difícil e frustrante.

Ajoelhados, abrimos a oportunidade para que quem desejasse orar pudesse fazê-lo. Para a surpresa de todos, Ayla, com os cabelos cobertos pelo véu, come­çou a falar com Deus, e fez uma oração que jamais esqueceremos. Ela disse: “Meu Deus, Tu os trouxeste aqui, e agora eles precisam aprender a nossa lín­gua. Por favor, sê o ajudador deles, para que possam se comunicar conosco”.

Apesar de normalmente termos dificuldade para entender o que as pessoas falavam, essas palavras foram as mais claras que ouvimos em meses. A oração singela de Ayla trouxe novas forças a nosso coração e a certeza de que o Rei do universo estaria conosco. Seguimos firmes até a aprovação final no curso do idioma.

Certamente, a oração de fé daquela muçulmana foi ouvida, pois foi Jesus quem afirmou que, tudo o que pedirmos em oração, com confiança, receberemos.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

Quais são as novas metas que cada membro da família tem para 2017? Escrevam no máximo 3 para cada um.

✔ Faltam 5 semanas para os 10 Dias de Oração e o lançamento do Seminário de Reavivamento Espiritual Primeiro Deus.


A SEMENTE GERMINOU
13 de janeiro

Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Gálatas 6:7

Há muitos anos, Deus nos deu a possibilidade de viver em um país distante, onde o idioma e os costumes eram muito diferentes dos nossos. O governo autorizou nosso trabalho apenas com as crianças, para atender à necessidade de ensinar inglês à população. Precisávamos encontrar um meio de pregar, e aceitamos a ideia com entusiasmo, uma vez que gostamos muito de trabalhar com essa faixa etária. Ensinávamos inglês para 50 crianças pequenas por meio de músicas e versos bíblicos.

Após dois anos, chegou a hora de voltarmos a nosso país. Apesar de termos feito nosso melhor, tínhamos a sensação de que havíamos realizado tão pouco! Nós nos despedimos pensando que não veríamos mais aquelas pessoas, até a volta de Jesus. Anos depois, Deus nos deu a oportunidade de regressar, e foi muito emocionante.

Enquanto caminhávamos pelas ruas, revivemos em pensamento muitas his­tórias. A cada esquina uma emoção, uma lembrança; porém, havia muito mais! Naquela viagem, Deus deu a maior alegria da minha vida. Pude ver algumas daquelas crianças, agora adultos e com suas famílias, firmes na fé. Alguns con­tinuaram aprendendo inglês e viajaram para outros países. Depois de estudar, eles decidiram voltar para servir ao Senhor.

Foi uma grande satisfação saber que o trabalho feito com crianças tão pequenas germinou e estava dando frutos. Louvamos a Deus por isso. Oro para que cada igreja perceba a importância de integrar as crianças na dinâmica da adoração. Desse modo, o evangelho se tornará parte de sua rotina e, em breve, elas se converterão em adolescentes e adultos propagadores da mensagem. A semente plantada em solo fértil certamente germinará.

Esse é apenas um vislumbre da cena extraordinária que teremos no Céu, ao descobrir os resultados do que aqui semeamos. Pensando nisso, você não gostaria de dedicar mais tempo para espalhar as sementes do evangelho entre os que o rodeiam?

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

O que tem mantido você fiel a Jesus ao longo de sua caminhada com Ele?

✔ Faltam 4 semanas para os 10 Dias de Oração e o lançamento do Seminário de Reavivamento Espiritual Primeiro Deus.


ADORAÇÃO NA DIVERSIDADE
20 de janeiro

Todo ser que respira louve ao SENHOR. Salmo 150:6

Desde menino, gosto de um quadro que talvez você conheça. É uma imagem que retrata Jesus ao centro, segurando uma criança nos braços, cercado por muitas pessoas de diferentes profissões, idades e com características e roupas que representam diversas partes do mundo.

Essa cena se tornou ainda mais impactante quando fui morar em um país asiático. Estava cercado por pessoas que tinham costumes diferentes dos meus e, especialmente quando ia à igreja, essa nova dimensão se evidenciava. Minha esposa e eu não falávamos a língua local e compreendíamos quase nada do que eles expressavam. Ainda assim, quando estávamos na igreja, nos sentíamos em casa.

Como é possível explicar isso? Digo que é porque sabíamos que estávamos adorando o mesmo Deus. Ali não fomos recebidos como forasteiros, mas como irmãos, com rostos sorridentes, na linguagem mais universal que conheço.

Uma das coisas de que mais gostava era que as canções eram iguais às que cantávamos em nosso país. Então, enquanto nossos irmãos louvavam no idioma deles, eu fazia isso em meu idioma. Era incrível!

Aprendemos que Deus nos entende em qualquer língua e aceita nosso louvor. Imagino que você, assim como minha esposa e eu, também faz parte daquela imagem do quadro que mencionei. E mais: fará parte de uma mesa posta no Céu para celebrar as bodas do Cordeiro. Nessa ocasião, certamente você verá alguns rostos familiares.

Entendemos e ensinamos que não importa o idioma, porque a música une a todos em louvor ao Criador. Portanto, você aceita se juntar a nós em adoração a Deus como uma amostra do que será no Céu?

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

Existe algum momento especial em que você viu a mão de Deus agir em sua vida/família?

✔ Faltam 3 semanas para os 10 Dias de Oração e o lançamento do Seminário de Reavivamento Espiritual Primeiro Deus.


SALVO
27 de janeiro

O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A Ele, glória pelos séculos dos séculos. 2 Timóteo 4:18

Desde criança, Fátima aprendeu a amar a Deus e entregou sua vida a Ele. Ainda jovem, decidiu se mudar de sua terra natal e foi morar em um país vizinho, onde conheceu Sérgio. Tempos depois, eles se casaram e hoje têm três filhos.

Sérgio trabalha em um dos hotéis mais importantes da cidade. No lar, é um marido atencioso e amoroso. Diferentemente da esposa, ele não nasceu em um lar cristão, mas muçulmano. A diferença de religião não impediu o casamento. Entretanto, com o passar do tempo, Fátima foi sentindo cada vez mais a neces­sidade de voltar a adorar ao Deus que conheceu em sua infância.

Depois de muita pesquisa, ela descobriu duas famílias adventistas que haviam se mudado recentemente para o município dela. Alegre, Fátima logo entrou em contato com elas, e aceitaram se encontrar no sábado seguinte.

No entanto, quando Sérgio soube do plano, proibiu-a de sair de casa, ale­gando que precisaria primeiro conhecer aquelas pessoas. Por isso, um jantar foi marcado para que todos pudessem se conhecer melhor.

Após a refeição, Sérgio fez várias perguntas ao grupo. Enquanto um adventista respondia, os demais oravam para que Deus agisse a fim de que Fátima pudesse ter liberdade para se congregar com eles.

De volta em casa, Fátima estava ansiosa, mas Sérgio se manteve em silên­cio por dois dias. Finalmente, o esposo autorizou sua participação e a da filha nos cultos adventistas. Todos ficaram felizes, embora ele não participasse dos encontros.

Todos os dias Sérgio é levado ao trabalho por um carro da empresa. Contudo, no primeiro sábado em que Fátima participou do culto, a esposa pediu que o marido as levasse com o carro da família. Ele concordou e, após deixá-las no local da reunião, pegou o caminho em direção ao hotel.

Quando chegou ao trabalho, Sérgio soube que o veículo da empresa havia se envolvido em um acidente. “Era para eu estar naquele carro”, ele pensou. Em razão disso, ele confessou à esposa que acreditava que sua vida fora poupada pelo Deus dela. Isso o motivou a participar com ela das reuniões adventistas, a fim de adorar o Senhor que o protegeu.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

Em que área de sua vida/família você sente que o Espirito Santo precisa agir?

✔ Faltam 2 semanas para os 10 Dias de Oração e o lançamento do Seminário de Reavivamento Espiritual Primeiro Deus.


ALEGRIA EM JESUS
3 de fevereiro

Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 2 Timóteo 4:2

Era sábado da manhã. Minha esposa e eu estávamos animados para ir à igreja pela primeira vez naquele campo missionário. Uma mulher que não falava outra língua, senão o dialeto local, ficou responsável por nos levar.

Ela tinha olhinhos puxados, menos de 1,5 metro de altura e era muito magra. No rosto, trazia um sorriso lindo. Andamos por cerca de 20 minutos até chegarmos à estação ferroviária.

Com as passagens compradas, corremos em direção ao trem. Era impressio­nante a quantidade de pessoas. Todos estavam em pé e se comprimiam. Idosos, jovens, homens, mulheres e mães com crianças de colo aguardavam atentamente um lugar para sentar. De repente, alguém se levantou bem à nossa frente, e uma senhora com uma garotinha que parecia ser sua neta se assentou. Algo muito estranho estava ocorrendo com aquela criança. Ela estava muito agitada e, várias vezes, a vimos batendo no rosto daquela mulher.

Fiquei indignado! Como era possível aquela menina desrespeitar uma pes­soa mais velha? Será que ninguém havia lhe ensinado boas maneiras? Ou aquilo era normal naquele país? Então, olhei para a irmã que nos guiava e vi que ela acompanhava a cena sorrindo.

Não demorou muito e nossa guia se aproximou da menina para tentar conquis­tar-lhe a atenção. Depois de levar um ou dois tapas, falou algo em seu ouvido que fez com que a garotinha começasse a cantar o pequeno trecho de uma canção.

A cena chamou a atenção das outras pessoas porque, frase após frase, nossa irmã ensinava uma linda melodia. Ficamos ainda mais curiosos para saber do que falava a música ao percebermos que algumas pessoas ao redor também cantavam. Quando o trem chegou à estação, nossa guia disse algo à garotinha e se despediu.

Para satisfazer nossa curiosidade, aquela irmã pegou o celular e começou a escrever em um dicionário eletrônico essas palavras: “Ensinei a criança a cantar sobre o amor de Jesus no Evangelho de João. Disse ainda que sempre que ela cantasse essa música, Jesus levaria alegria à casa dela.”

Naquele momento, eu me emocionei. Vi que, mesmo em um país onde é proibido falar de Jesus, tínhamos muito a aprender sobre evangelismo.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

Qual é seu talento? Ele se transformou em seu ministério? #MeuTalentoMeuMinistério

✔ Faltam uma semana para os 10 Dias de Oração e o lançamento do Seminário de Reavivamento Espiritual Primeiro Deus.


O MELHOR É SERVIR
10 de fevereiro

Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos. Hebreus 6:10

Era uma manhã de segunda-feira e estava muito frio. Meu esposo e eu havíamos acabado de chegar em nosso novo campo missionário e estávamos alojados provisoriamente na universidade. Precisávamos urgentemente encontrar uma casa para morar.

A língua era nossa grande barreira, pois não sabíamos falar uma única palavra do idioma local, e pouquíssimas pessoas sabiam falar inglês. Estávamos preocupados. Como conseguiríamos alugar uma casa sem saber nos comunicar?

Pedimos ajuda no escritório de estudantes estrangeiros. Os responsáveis nos informaram que, devido ao período de férias, nossa alternativa era falar com um determinado estudante que não havia viajado. Ele não era fluente na língua local, mas talvez pudesse nos auxiliar.

Certos de que Deus estava conduzindo cada detalhe, aguardamos até que o aluno indicado entrasse em contato conosco. Ele prontamente se colocou à disposição e combinamos de nos encontrar na manhã seguinte.

Era um jovem negro, de estrutura corporal forte. Apesar do frio rigoroso, saímos juntos à procura de casa. Ele se comunicava com dificuldade, mas com muita boa vontade fez os telefonemas. Ele nos ajudou a agendar visitas a alguns apartamentos até encontrarmos o nosso. Esse jovem nos ajudou muito! Mesmo com dificuldade de comunicação, ele nos auxiliou também na assinatura do con­trato. Na sexta-feira nos mudamos para nosso novo lar.

Terminamos aquela semana felizes, pois pudemos receber o sábado acomoda­dos em nossa nova casa. Por meio do contato com esse jovem, Deus no ensinou que, mesmo não sendo do país ou não falando a mesma língua, podemos servir aos outros. Não sabemos se aquele jovem era cristão ou não, mas aprendemos que quando estamos dispostos a servir e ajudar a outros, o amor vence qualquer barreira.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

#PrimeiroDeus é o novo Seminário de Reavivamento Espiritual que começa dia 19 de fevereiro.

✔ Participe dos 10 Dias de Oração e das 10 horas de jejum de 09 a 18 de fevereiro.


RESPOSTA IMEDIATA
17 de fevereiro

 

E será que, antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei. Isaías 65:24

“Senhor! Eu estou nessa cidade há meses e até agora não fiz amizade com as pessoas daqui. Eu represento a maioria de estrangeiros que vive aqui, e não é fácil conversar com um morador local, já que eles não trabalham como motoristas de táxi ou vendedores. Está certo que nossa professora de árabe é daqui, mas ela só pode conversar com mulheres. Por isso eu te peço, hoje: Dá-me a oportunidade de conhecer um árabe. Há algo que não sai da minha mente: minha professora comentou que o marido gosta de jogar futebol. Isso não seria uma boa oportuni­dade? Meu desejo é que o Senhor use meu talento para o futebol como ferramenta para falar de teu amor. É o que te peço, em nome de Jesus, amém!”

Essa foi minha oração angustiada, porque procurava uma maneira de ven­cer as barreiras culturais para ter a oportunidade de pregar. Naquela manhã, ao começar a aula, minha professora perguntou se eu havia jogado futebol ali. Depois de minha resposta negativa, ela disse: “Vou colocar você em contato com meu esposo para você jogar com ele.”

Foi uma sensação indescritível. Naquele dia tive uma certeza de que o poder da oração é muito grande, e é maior ainda se orarmos por algo específico. A amizade com Ahmad – o esposo dela – está se fortalecendo a cada nova partida de futebol.

Agora virou rotina orar de modo específico, como fiz certa manhã: “Senhor, gostaríamos de entrar na casa de um habitante local. Por favor, dá-nos essa oportunidade. Usa-nos como teus missionários, amém”. Trinta minutos depois, recebi um telefonema de Ahmad, convidando-me para jantar com sua família. Meu novo amigo disse que um ex-jogador muito famoso estava na cidade, e o jantar era uma homenagem a ele. Assim, senti-me honrado pelo convite.

Venho orando para que meu amigo Ahmad e outros que conheci sejam toca­dos por Jesus. Meu coração pede para que eu faça discípulos de Cristo e, embora ainda não tenha ocorrido a oportunidade de falar sobre os aspectos espirituais, estou fortalecendo nossa amizade. Creio que Deus abrirá as portas a essa pregação.

No campo missionário, aprendi como é importante orar especificamente e esperar grandes coisas de um grande Deus.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.

Para interagir:

#PrimeiroDeus é o novo Seminário de Reavivamento Espiritual que começa dia 19 de fevereiro.


A ORAÇÃO É A CHAVE
24 de fevereiro

Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Mateus 18:19

Durante nosso ministério, a oração sempre foi uma ferramenta importante e, no campo missionário, entendemos que ela não é apenas uma ferramenta, mas a base. Nossa equipe é composta por um casal recém-chegado (A e B), nossa filha pequena, meu esposo e eu.

Trabalhamos em uma cultura muito diferente, em um país onde a pregação é proibida e os desafios são enormes. O primeiro deles é que, para nossa segu­rança, não podemos ser identificados. Há três semanas, fizemos um compro­misso de oração fervorosa pelo nosso trabalho. Cada um tem um dom diferente, mas estamos unidos na paixão pelas pessoas e na necessidade da direção divina.

Em nossa realidade, os métodos convencionais são ineficazes; por isso, temos orado para que Deus nos abra portas de evangelização. Cremos que o Senhor, em sua sabedoria, escolherá aqueles que atuarão conosco no Centro de Influência que vamos inaugurar para atrair muçulmanos. O que temos experimentado nestes dias não tem explicação. Rapidamente, estamos recebendo as respostas:

(A) foi convidado a jantar em uma reunião exclusiva para homens, promovida por uma família local influente. Isso é resultado de um contato iniciado por meio do futebol.

Certa tarde, fui ao parque e conheci uma senhora árabe e seu filho, que tem a mesma idade da minha filha. Conversamos e trocamos números de telefone.

(B) foi convidada pela primeira vez para ir à casa de Jasmim, uma árabe conservadora com quem fez contato. Ela pôde responder algumas perguntas sobre Jesus, oração e a Bíblia. Isso é incrível, pois Jasmim nos tratou com desconfiança e rispidez desde quando soube que somos cristãos.

Recebemos o pedido de ajuda de uma ex-muçulmana que havia se envolvido com ocultismo. Fomos visitá-la acompanhados de um pastor que estava na cidade e, desde então, estudamos a Bíblia em sua casa, onde o poder de Deus tem se manifestado.

Um amigo muçulmano chamado Abdullah mencionou que desejava ajudar ou­tras pessoas, seguindo o exemplo de alguns amigos cristãos que o ajudaram quando precisou.

Conhecemos uma adventista que é casada com um muçulmano e, por isso, mora aqui. Sua história de conversão é tão interessante que deseja escrever um livro. Ela se uniu a nós no projeto missionário.

Ellen White escreveu que a oração é a chave para abrir os celeiros do Céu, e isso é o que estamos sentindo. Qual é a base de sua vida? Não perca a opor­tunidade de “esvaziar” o celeiro celestial. Ore sinceramente e você vai se sur­preender! Sua fidelidade e oração os mantêm, lá.


UMA LIÇÃO DE RESPEITO
3 de março

Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei. l Pedro 2:17

Bhumibol Adulyadej é o rei da Tailândia e está no trono desde 1946, sendo o monarca há mais tempo no comando de um país. A Tailândia é considerada uma das nações mais ricas do mundo, e é impossível estar lá e não perceber o respeito do povo por seu líder.

Em qualquer repartição pública, residência ou comércio há uma foto do soberano em lugar de destaque. Devido à crença no budismo, o rei é uma espé­cie de semideus para o povo. Como consequência, sua figura é muito respei­tada. Um exemplo disso é encontrado no modo como os tailandeses manuseiam o dinheiro. A foto do rei está em todas as cédulas, o que faz com que a popula­ção as trate com muita deferência. Por isso, o dinheiro tailandês é considerado o mais limpo do mundo, e não se vê notas amassadas, sujas ou mesmo rasgadas. Jamais alguém as joga no chão, porque a imagem do rei está impressa nelas.

Isso me faz pensar no fato de que muitos não têm o mesmo respeito por Deus. Diversas vezes, o Criador e Redentor é tratado de maneira indiferente, quando não ofensivamente. Um povo que consegue olhar para seu líder e tratá-lo com reverência ensina muito a nós, filhos do grande Rei.

Vivemos em um mundo onde o respeito pelo que é sagrado tem perdido seu valor. Aliás, a palavra “respeito” tem, aos poucos, sido colocada à parte em nosso vocabulário. O individualismo e a arrogância têm destruído o amor ao próximo.

Infelizmente, esse é um claro reflexo de nossa relação com Deus porque, se realmente O amamos e respeitamos, também temos em nosso coração amor e consideração pelas pessoas e também pela natureza, obras de Suas mãos.

Realmente, precisamos rever os conceitos que imperam em nossa sociedade e fazer a diferença que Deus espera que façamos. Que aprendamos com o povo tailandês a lição de respeito que devemos ter para com nosso Rei.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


ATRÁS DO VÉU
10 de março

Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Mateus 5:43-45

Saí para comprar o almoço e notei que as ruas não estavam lotadas como de costume. Enquanto andava tranquilamente pela calçada, avistei uma mulher trajando uma burca. Depois de algum tempo vivendo aqui, essa cena se torna comum, e não nos surpreendemos mais ao ver as muçulmanas caminhando pelas ruas, fazendo compras ou andando de ônibus.

Contudo, não sei por que, percebi que algo diferente estava ocorrendo. Ela vinha em minha direção e, quando estávamos próximos, tentou falar comigo. Levei um susto, porque isso não é comum. As mulheres não têm autorização para falar com homens que não sejam de sua família. Por que aquela muçulmana estaria falando com um estrangeiro no meio da rua? Eu sabia que o hábito de vestir a burca era, acima de tudo, uma maneira de se manter distante dos outros.

Seus olhos eram tudo que eu podia ver. Ela tentou falar-me algo, e eu não entendi. Tentei responder em inglês, mas percebi que ela não compreendia o idioma. Fiquei apreensivo. Será que posso conversar com essa desconhecida? O que os outros poderão pensar? A preocupação com o julgamento alheio, que nos impede tantas vezes de fazer o que precisa ser feito, é um grande problema.

Olhei em seus olhos e vi sofrimento, angústia, quase desespero. Vi que atrás daquele véu havia alguém que carregava dor e tristeza. Vi que ali tinha uma pessoa de carne e osso, não apenas uma sombra emblemática a caminhar deso­rientada pelas ruas e vielas da cidade. Vi que, como qualquer um, em qualquer lugar do mundo, era uma pessoa precisando de ajuda.

Lamentei o fato de não falar seu idioma e não entender sua necessidade. Assim que percebeu que eu não a compreendia, ela continuou seu caminho solitário, e fui abalado para sempre. Nada é mais destrutivo do que o precon­ceito. A mulher do véu me ensinou que suas necessidades são iguais às nossas. Somos filhos de um mesmo Deus e sofremos as mesmas angústias e desilusões.

Ela me mostrou que é urgente nos colocarmos no lugar do outro para enten­dermos o sofrimento. Enquanto a política e as religiões dividem o mundo, em uma antiga luta para conquistar espaço, Deus nos olha como pessoas que care­cem de Sua misericórdia, sem Se importar com qual lado do planeta estamos. Em sua infinita compaixão, Jesus morreu e derramou Seu sangue por todos.

Que saibamos reconhecer nossa necessidade de Deus para que possamos amar o próximo como Ele amou, deixando de lado todo e qualquer preconceito que ainda haja em nosso coração.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


O CUIDADO DE DEUS
17 de março

Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós. 1 Pedro 5:7

Viver em outro pais é uma experiência única, cheia de surpresas e desafios. Alguns nos fazem querer recuar e outros nos ensinam a orar mais, o fim de testemunhar o agir de Deus. Há cerca de um ano, meu esposo e eu saímos do Brasil para uma missão de alguns anos em outro país. Entre os muitos desafios, dominar o idioma local é o maior.

Dessa forma, assim que chegamos, nós nos matriculamos em uma universi­dade e demos início ao estudo da língua. Logo percebemos que não seria fácil e que, realmente, precisaríamos orar muito e nos aplicar no aprendizado do idioma.

As aulas ocorriam todas as manhãs. Éramos somente nós dois e a professora, uma jovem com um bom inglês que acabara de ganhar seu bebê. No primeiro dia, ela se atrasou por uns 15 minutos. No segundo e terceiro dias, novamente houve atraso, e assim foi progressivamente por mais ou menos um mês. Em várias ocasiões, chegamos a perder uma hora de aula ou simplesmente não tivemos aula.

Oramos a Deus sobre a dificuldade e conversamos amavelmente com a pro­fessora algumas vezes. Sabíamos que ela tinha um bebê, mas também éramos cientes da importância do estudo e do dinheiro que havia sido empregado para esse propósito. Mesmo assim, nada mudou. Aos poucos começamos a ficar desestimulados, pois sabíamos que não estávamos progredindo.

O país onde estamos não é cristão, e a maior parte das pessoas nunca nem mesmo ouviu falar de Jesus. A presença adventista aqui, comparada à popula­ção, é quase insignificante.

Nesse contexto, percebemos que havia uma luta espiritual por trás daquele problema e nos dedicamos mais à oração. Clamamos a Deus por ajuda, para que aquela situação pudesse ser resolvida sem prejuízo para nós nem para a professora. Conversamos com a direção da escola e esperamos.

Alguns dias depois, a diretora nos informou que outra pessoa assumiria as aulas, pois a professora havia percebido que seria melhor se dedicar integral­mente ao filho. Nossa nova professora é uma senhora experiente, pontual e que quase não fala inglês, o que nos força a ouvir e falar a nova língua. E o mais impressionante de tudo: ela é cristã, algo raro por aqui!

Temos progredido no aprendizado do idioma, mas, acima de tudo, temos aprendido mais e mais que Deus ouve nossas orações e deseja que entreguemos nas mãos Dele nossas ansiedades e cuidados, porque Ele tem cuidado de nós.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


EM BUSCA DE LIBERTAÇÃO
24 de março

Os dias em que vivemos são maus; por isso aproveitem bem todas as oportunidades que vocês têm. Não ajam como pessoas sem juízo, mas procurem entender o que o Senhor quer que vocês façam. Efésios 5:16 e 17 (NTLH)

As viagens de metrô e ônibus na grande metrópole onde vivo são demoradas e, por isso, tenho tempo para pensar e orar pelas pessoas. Naquele dia minha oração foi: “Meu Deus, estou totalmente disponível para teu trabalho de salvação hoje. Se há alguém a quem devo falar sobre Jesus, estou aqui.”

Quase terminando o dia, recebi uma mensagem de SMS. Era uma amiga para quem eu estava falando de Cristo, pedindo ajuda para Sabah, uma colega de trabalho assombrada por espíritos malignos e que necessitava de uma visita em sua casa.

Senti um frio na barriga porque não sou pastor e nunca tinha vivido qualquer experiência como essa. Entretanto, imediatamente, veio à minha mente a oração que havia feito na parte da manhã. Então, dei graças a Deus porque, sem dúvida, Sabah era a pessoa que o Senhor me dera para compartilhar a alegria da salvação.

Naquela noite, Sabah me ligou, e nós conversamos por mais de uma hora. Ela é uma mulher árabe que deu sua vida a Cristo há 15 anos. Antes, havia sido muçulmana, e toda sua família ainda professa o islã. Por isso, a mudança exigiu dela grande coragem e sacrifício. Sabah perdeu tudo: sua família, seus filhos e seu trabalho, mas ela não deixou de amar Jesus.

Prometi visitá-la com alguns amigos, e ela mencionou que o inimigo se manifestava em sua casa com regularidade. Junto a meu esposo e alguns ami­gos, oramos previamente e jejuamos pelo livramento de Sabah. Em um sábado pela manhã, nós a visitamos, e ela ficou radiante ao nos contar a história de sua vida. Estávamos acompanhados de um pastor africano muito experiente. Então nos ajoelhamos em volta dela para clamar a Deus, crendo em Suas promessas e na vitória de Jesus sobre os poderes do mal.

No momento em que orávamos para que o inimigo deixasse para sempre a casa e a vida de Sabah, houve uma manifestação, e ela começou a tossir, caindo no chão. O pastor continuou orando com poder e em nome de Jesus, e Sabah foi recobrando seus sentidos. Em lágrimas, ela conseguiu terminar a oração conosco.

Sabah faz parte da terceira geração de uma família de bruxas e ocultistas e, desde a infância, esteve associada ao espiritismo. Contudo, ela não resistiu ao amor de Jesus. Toda semana nós a visitamos para orar, cantar e estudar a Bíblia. O inimigo ainda luta, porém, não vencerá, pois quem peleja por nós é o Senhor dos Exércitos. Devemos somente tornar-nos disponíveis para o trabalho; é Ele quem opera a transformação de vidas. Por favor, ajude-nos, orando por Sabah!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


UMA AULA DIFERENTE
31 de março

O homem que tem amigos deve mostrar-se amigável. Provérbios 18:24 (ACF)

Devido à nossa função no campo missionário, não temos tanto contato com a população local quanto gostaríamos. Entretanto, antes de vir, oramos para que tivéssemos a oportunidade de testemunhar. No ano passado, estudamos o idioma com uma professora jovem, altamente qualificada, e que desde o início deixou claro que não estava interessada em assuntos religiosos. Com o tempo, pudemos apresentar algumas poucas informações sobre as ações da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Lembro-me de que, certo dia, eu estava responsável por dirigir o momento devocional em meu trabalho. Para obter maior fluência na leitura, levei o texto para a aula a fim de praticar mais. Na semana seguinte, foi a vez de minha esposa fazer o mesmo.

Dessa forma, ensinando-nos a pronúncia exata, a professora se interessou pelas histórias da Meditação Diária e decidiu que, todos os dias, as aulas seriam iniciadas depois daquela leitura. Três dias após eu e minha esposa nos revezar­mos na exposição do texto, a professora disse que também gostaria de ler. Foi muito interessante. Poucos dias depois, também desenvolvemos o hábito de orar antes de iniciar os estudos.

Embora pareça algo simples, esse foi um passo gigante no contexto cultural em que vivemos. Depois de recusar alguns convites para estar em nosso lar, chegou o Natal, e a professora aceitou estar conosco no culto, junto de sua mãe.

Em seguida, ela pediu para ter uma Meditação Matinal em sua casa. Também quis cópias das músicas que levávamos às aulas para aprimorar o estudo do idioma. O interesse foi aumentando, e ela pediu uma Bíblia e aceitou iniciar os estudos bíblicos.

Sabemos que ainda temos uma longa caminhada para vê-la dar sua vida a Cristo, mas não temos dúvidas de que Deus está agindo na vida de nossa profes­sora. Entendemos que, antes de pregar, devemos viver o sermão e permitir que o Espírito Santo nos use e desperte o interesse nas pessoas a respeito do nosso modo “diferente” de vida. O exemplo vale mais do que mil palavras!

Sua fidelidade e oração os mantêm, lá.


外国人 WAIGUOREN
7 de abril

…confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. Hebreus 11:13-14

“Por que eles tanto olham para nós?” Era a pergunta que nos fazíamos.

Quando chegamos a uma pequena província da Ásia, em março de 2015, oficialmente o inverno já havia acabado, mas o padrão diário de 0°C não era nem um pouco confortável. Além disso, nos deparamos com uma realidade oposta e, nos primeiros dias, assustadora. Tudo era diferente e havia muitos cheiros esquisitos.

Ser estrangeiro é algo que só quem é ou já foi entende, e o fato de não falar a língua local torna tudo um pouco estarrecedor. Os forasteiros aqui precisam aprender a não ligar para a opinião alheia. Talvez pela curiosidade ou pelo fato de verem poucos ocidentais, os nativos reagem de formas bem inusitadas à nossa presença.

Eles encaram muito e falam alto as palavras-chave: “laowai”, “waiguoren” (estrangeiro), ou tentam descobrir sua origem, perguntando: “Ni cong nali de ren?” (De onde você é?).

Em nosso caso, descobrimos que somos vigiados, observados e copiados diversas vezes. Isso é muito curioso. Em certas ocasiões, para escolher algum produto no mercado, olhamos muito, tentando “decifrar” os caracteres do rótulo. Depois de decidir o que levar, nós nos afastamos da prateleira. Com o tempo, começamos a perceber que os moradores locais, que antes compravam outro produto, acabam optando pelo mesmo que nós.

Isso ocorre muito em cidades menores, onde pouca ou quase nenhuma influência externa existe. É o conceito presente na mentalidade da população de que, se o estrangeiro comprou o produto, então ele é bom. Entendemos que isso retrata a grande responsabilidade que temos.

Outra curiosidade. Em nossa cidade é raríssimo ver as pessoas respeitando filas. Não que seja “falta de educação”, mas o conceito de fila aqui é diferente. Contudo, algumas vezes, percebemos que ao irmos para o fim do “amontoado” de gente, outros percebem nossa atitude, fazem o mesmo e, rapidamente, forma-se uma fila.

Como estrangeiros, pudemos notar de forma muito clara que onde estamos, o estilo de vida que possuímos, nossos hábitos, a forma como nos relacionamos e uma série de outras atitudes acabam influenciando as pessoas. Todos somos es­trangeiros no mundo. Resta saber até quando queremos ser estrangeiros e que tipo de influência estamos deixando por onde passamos.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


POR QUE RECOMEÇAR?
14 de abril

Dispõe-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti. Isaías 60:1

Depois de cinco anos trabalhando no Brasil, sentimos Cristo nos convidando a recomeçar nossa vida em um local “um pouco” diferente. No início, era apenas um desejo, mas logo o chamado foi confirmado. Entre tantas pessoas apa­rentemente mais qualificadas, Ele escolheu nos capacitar para esse novo desafio. E que desafio! Vivemos em um país com língua, costumes, comidas, cheiros, clima e pessoas totalmente diferentes.

Vendemos tudo o que possuíamos: móveis, roupas, equipamentos e o carro. Além disso, tivemos de doar nosso cachorrinho de estimação. Abrimos mão de tudo para nos jogar completamente nos braços do Pai.

Chegamos aqui com duas malas grandes, duas pequenas e duas mochilas, e com o coração transbordando com o desejo de servir. Além das malas, também vieram um pouco de curiosidade e medo.

A vida é feita de recomeços, e experimentamos isso nos relacionamentos, no trabalho, nos estudos, na saúde… E quanto a nosso recomeço como cris­tãos? Muitos passam por esse momento quando conhecem a Bíblia e são batiza­dos. Agora entendemos que, no campo espiritual, o recomeço é diário, ou pelo menos deveria ser. A cada nova descoberta surge a oportunidade de fazer algo melhor, com mais qualidade ou eficácia.

Desde crianças pertencemos a lares adventistas. Crescemos imersos em costumes e hábitos cristãos. Entretanto, ao chegarmos aqui, precisamos nos adaptar. Alguns aspectos relacionados à igreja também são diferentes, como o estilo de liderança, os métodos de administração financeira, entre outras coisas.

Há ainda assuntos que, fora do contexto, podem tomar um rumo polê­mico. Contudo, se observados pelo ângulo de um país fechado ao cristianismo, demostram o maravilhoso cuidado de Deus ao usar pessoas e recursos limitados para difundir seu evangelho. Fazer parte desse cenário é uma experiência de crescimento imensurável.

Recomeçar pode ser difícil e doloroso, e é necessário aprender a entender os contextos e aceitar os novos hábitos e metodologias. Depois, torna-se uma expe­riência enriquecedora e prazerosa. Esperamos ansiosamente o momento em que recomeçaremos nossa vida ao lado de nosso Mestre. Esse, sem dúvida, será o melhor recomeço de todos os tempos. “Dispõe-te, resplandece” e recomece!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


DE PROFESSORA A ALUNA
21 de abril

Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho! 1 Coríntios 9:16

Logo que chegamos a nosso campo missionário procuramos escolas de árabe e, em algumas semanas, descobrimos que não seria fácil achá-las, porque mui­tos institutos foram fechados por falta de alunos. Dessa forma, oramos a Deus pedindo que nos direcionasse a escolher um professor particular eficiente.

Encontramos uma professora muito amável que também nos deu um des­conto. As aulas eram intensas, durando quatro horas por dia, cinco dias por semana, com intervalos curtos apenas para alongar os músculos e beber água.

Durante essas pausas, a professora, que é muçulmana e sempre usa o hijab (véu sobre a cabeça), começou a conversar conosco. Estava curiosa para saber o que nos trazia àquele país, e ficou surpresa ao descobrir que minha esposa e eu trabalhamos em uma igreja. Ela passou a nos perguntar sobre o cristianismo todos os dias, a ponto de haver ocasiões em que ela decidiu não cobrar pela aula, pois havíamos passado tempo demais falando de assuntos religiosos.

Muitos muçulmanos acreditam que a Bíblia foi corrompida, e nós tivemos a oportunidade de conversar sobre os idiomas originais, as traduções existentes e também acerca da comprovação dos textos bíblicos por meio da arqueologia. Nesse dia, no fim da conversa, ela nos pediu uma Bíblia para ler.

A professora nos contou que sempre transmite a seus amigos muçulma­nos o que compartilhamos com ela. Geralmente, eles ficam impressionados ao descobrir que nós não consumimos álcool, não comemos carne de porco e não fumamos, o que aponta similaridades com o islamismo.

Contudo, entre os vários assuntos que conversamos, o julgamento final foi o que mais a encantou. A professora nos disse que prefere a maneira como acredita­mos ao que ela aprendeu no Alcorão. “Faz mais sentido ser assim”, disse certa vez.

Pouco a pouco, naquela sala de aula, Deus estava operando um milagre, dando-nos a oportunidade de aprender e também de ensinar. Soubemos ainda que nossa professora nos defendia, pois quando pessoas diziam que éramos perigosos ou estranhos, ela mostrava o que havia aprendido na Bíblia e como as informações eram confiáveis.

Continuamos bons amigos e ocasionalmente nos encontramos para uma refeição, onde sempre há oportunidade de compartilhar nossa fé. Ainda não sabemos os resultados desse contato, mas vemos claramente que Deus está trabalhando em nós, em nossa professora e também nas pessoas a quem ela transmite o que está descobrindo.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


ORAÇÕES ATENDIDAS
28 de abril

E esta é a confiança que temos para com Ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que Ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito. 1 João 5:14, 15

Um dos mitos que ouvi antes de chegar ao Oriente Médio foi que os muçulma­nos eram pessoas agressivas e perigosas. No entanto, aprendi que a maioria deles tem bom coração, está sempre disposta a ajudar, como se você fosse parte de sua família.

Estávamos viajando em direção ao Mar Mediterrâneo quando, subitamente, o carro parou em uma ladeira e não quis mais andar. O problema fez com que ficássemos parados no meio da rodovia, atrapalhando o trânsito. Depois de várias tentativas para fazer o automóvel funcionar, orei em silêncio, a fim de que Deus enviasse alguém para nos ajudar.

De repente, de uma vez só, um motociclista e um motorista pararam e vie­ram ao nosso auxílio. Abriram o capo do carro e verificaram o sistema de acele­ração. Depois de terminarem o conserto, e quando já podíamos seguir viagem, eu disse a minha esposa que Deus ouvira nossa oração.

Após alguns dias, em uma sexta-feira, estava indo ao aeroporto buscar um amigo e o carro voltou a apresentar o mesmo problema. Novamente fiquei parado na estrada. Mais uma vez, pedi a Deus que me enviasse alguma ajuda.

Poucos minutos depois, um carro parou, e um homem vestido de suriyah roupa branca que os homens usam para orar na mesquita – ofereceu ajuda. O problema foi resolvido, e eu tentei pagar por sua ajuda. Ele se recusou a receber e me respondeu em árabe: Baraka Allah Fik (“Que Deus o abençoe”).

Situações imprevistas podem acontecer com qualquer pessoa. Quando você estiver passando por isso, lembre-se das palavras de Ellen White: “Não há tempo nem lugares impróprios para apresentar uma petição a Deus. Nada há que possa impedir-nos de elevar o coração no espírito de uma oração sincera. […] Entregue a Ele todas as coisas que perturbam sua mente. Coisa alguma é grande demais para que Ele não possa suportar, pois é Ele quem mantém os mundos e governa o universo. Nada daquilo que, de alguma forma, diz respeito a nossa paz é pequeno demais para que Ele não note” (Caminho a Cristo, p. 62, 63).

Confie no cuidado e na proteção de Deus.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


O FIM DAS LÁGRIMAS
5 de maio

E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. Apocalipse 21:4

Diariamente são noticiados acidentes, protestos, desastres naturais, conflitos e guerras. Homens-bomba e atentados já não chocam tanto. Afinal de contas, isso não ocorre em nosso país, com nossos familiares, com nossas crianças. A situa­ção caótica do planeta é apenas uma informação ou tema para mais um filme.

Entretanto, quando se muda para uma região onde esses acontecimentos fazem parte da rotina das pessoas, a percepção muda. No início do ano pas­sado, acompanhávamos as notícias da guerra no país vizinho, porque o Estado Islâmico estava dominando várias cidades. As informações eram de explosões, mortes e refugiados. Na tela da televisão, aquilo parecia apenas mais uma fato jornalístico; porém, para nós, era algo diferente.

Doeu muito quando uma amiga muçulmana nos chamou para ouvir um áudio enviado pela família dela, que não conseguia deixar o país em conflito. Ouvimos o barulho de aviões sobrevoando a casa deles e, segundos depois, uma enorme explosão. Em seguida, o som de pessoas tensas correndo se misturando a rajadas de metralhadora. Depois, a voz baixinha de uma mãe tentando acalmar uma criança em prantos, enquanto o estrondo de explosões e tiros ainda ecoava. Essas pessoas não são desconhecidas, não são rostos sem nome na televisão. São a família de nossa vizinha de apartamento.

Nossa amiga estava aflita e, durante alguns segundos, ficamos em silêncio, olhando para ela. O que dizer? Nós a abraçamos, e ela implorou que orássemos. Por algum tempo, aquela “anestesia” faria efeito, mas ela iria acabar. Quando isso acontecesse, a dor voltaria. O que fazer?

Não é fácil viver aqui. Entretanto, por mais doloroso que possa ser, em momentos como esse nos apegamos ainda mais a Jesus, não somente em busca de conforto, mas para repartir as promessas divinas com quem nem sabe que há um Salvador. Em momentos assim não dá para nos esquecer de que há um trabalho a ser feito, porque somente quando anunciarmos a salvação ao mundo não haverá mais morte, nem pranto, nem dor. Volta logo, Senhor Jesus!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


TEMPESTADE DE AREIA
12 de maio

São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Apocalipse 7:14

Quando você era criança, também corria para perto dos seus pais em dias de tempestade? O barulho da chuva forte, dos raios e trovões causava medo? Aqui no Oriente Médio também há tempestade, mas ela é diferente. Silenciosa, chega discretamente, sem fazer alarde. É a tempestade de areia.

Quando ela ocorre, o sol fica encoberto e a respiração se torna difícil devido à quantidade de poeira suspensa no ar. Tentar evitar a entrada da areia em casa é perda de tempo. Você pode manter as portas e janelas fechadas, e também todas as possíveis entradas de ar. Tudo é vão, porque os grãos minúsculos sem­pre encontram um jeito de transpor as barreiras!

Ironicamente, essas tempestades sempre acontecem quando acabamos de fazer uma faxina. Nesses momentos, nós nos lembramos de que moramos na região do Saara, e isso significa conviver com a areia e esperar a tempestade passar para limpar a casa de novo. E não adianta uma limpeza básica! É necessário lavar cada canto com muita água, porque depois que a areia entra, é difícil fazê-la sair.

Cada vez que isso ocorre, nós nos recordamos da ação do pecado. Como a tempestade de areia, ele entra em nossa vida de mansinho e vai tomando conta de tudo. Como é difícil se livrar do pecado depois que ele se entranha em nossa vida!

Que bom que temos Jesus, de quem flui a água viva. Entretanto, diferente da areia, Ele só entra em nossa vida se o deixarmos. Por isso, as portas e janelas de nosso coração devem estar sempre escancaradas para a influência do Espírito Santo.

Não importa o quanto tentemos lutar contra a entrada do pecado. Somos fracos, muitas vezes vencidos, e dependemos da misericórdia de Deus. A boa notícia é que temos acesso à Água Viva e podemos lavar nossas vestes no sangue do Cordeiro, pois só Ele tem poder para nos limpar de todo mal.

Que o Senhor nos ajude a ser parte daqueles que se regozijam na salvação em Jesus e ajudam a levar essa mensagem aos empoeirados deste mundo!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


A ALEGRIA DA SALVAÇÃO
19 de maio

Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. Lucas 15:10

Minha esposa e eu tivemos o privilégio de trabalhar por quase oito anos na costa Oeste da África, em um país de maioria muçulmana e um dos mais pobres do planeta. Quando chegamos, soubemos que a Igreja Adventista do Sétimo Dia estava presente em apenas 10% de seu território. O plano era plantar igrejas em todas as províncias e, para a província Boulkiemdé, enviamos o jovem missionário Matthew Koulette.

Por quase um ano ele fez evangelismo ali. Entre os interessados estava Valéria, uma jovem parcialmente paralítica que se locomovia com a ajuda de muletas bem antigas. Uma de suas características era a atitude alegre e sempre positiva com a qual encarava a vida.

A cada dia, entre ida e volta, ela caminhava 10 km para acompanhar as conferências. Com o tempo, deixou de ir à escola aos sábados e, mesmo enfren­tando a oposição de sua família, decidiu ser batizada.

No dia marcado, alguns pastores da Associação Geral estavam presentes e puderam assistir ao batismo de Valéria e outras dez pessoas. Encerrada a cerimônia, ela se despediu de todos, porque tinha um longo trajeto pela frente.

Depois de quase uma hora, também partimos com destino à capital do país. Era uma tarde quente, nesse país que faz parte da região do deserto do Saara, em que as temperaturas alcançam 56°C.

Depois de algum tempo dirigindo e conversando sobre as decisões que havíamos testemunhado naquele dia, avistamos Valéria parada à beira do cami­nho, fazendo sinal para nós. Ao se aproximar do carro com um sorriso no rosto, ela nos disse, em tom de agradecimento: “Queridos pastores, muito obrigada por virem de tão longe para o meu batismo. Se não nos vermos ainda na Terra, certamente nos veremos no Céu.”

Vendo-a entrando em uma trilha rumo ao seu vilarejo, seguimos nossa via­gem com lágrimas nos olhos, levando no coração aquelas palavras de esperança.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


O SONHO
26 de maio

E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espirito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões. Joel 2:28

Sempre entendi que a profecia de Joel 2:28 se referia ao derramamento do Espírito Santo para os cristãos. Afinal, Pedro menciona esse texto ao explicar o repentino dom concedido aos seguidores de Jesus no Pentecostes (At 2:17-18). Entretanto, ao chegar no Oriente Médio, percebi que não podemos limitar a ação de Deus ao tentar alcançar as pessoas.

Certa ocasião, recebemos um grupo de estrangeiros que viera participar de um projeto social na área da saúde. Entre eles estava uma ex-muçulmana, Heba, que havia se convertido e casado com um adventista do sétimo dia.

Em uma noite de folga do evento, fomos para nossa casa, onde ela contou em detalhes sua bonita história de conversão. Inspirado em seu testemunho e com sua permissão, resolvi compartilhar seu relato com minha igreja no sábado seguinte, mostrando como o acolhimento foi fundamental para que ela se tor­nasse uma seguidora de Cristo.

No culto em que narrei sua história, providencialmente recebemos a visita de três muçulmanas que, pela primeira vez, entravam em nossa igreja. Depois de relatar o testemunho e apresentar Heba a todos, rapidamente uma das visitan­tes, chamada Sarah, procurou-nos e pediu uma visita em sua casa. Ela dizia que tinha algo importante para nos contar.

Com um pouco de insegurança, mas com fé, nos dirigimos até sua residência. Sendo muçulmana, ela tinha dúvidas sobre quem de fato era Jesus, se Ele era apenas um profeta, como ensina o islã, ou se era o Deus que se fez homem para salvar a humanidade. Com coração aberto e uma oração sincera, Sarah havia pedido diversas vezes a Cristo que se mostrasse a ela e se revelasse como profeta ou Salvador.

Passaram-se algumas semanas até que ela recebesse o primeiro sonho. Nele, viu um homem de branco nas nuvens do Céu, com os braços abertos e falando com ela. Sarah relatou que não conseguia entender o que Ele estava dizendo, mas ainda assim disse que, no dia seguinte, acordou com grande paz no coração.

Ela insistiu em sua oração, e pela segunda vez teve o mesmo sonho. Nessa ocasião, Sarah procurou a ajuda de uma cristã conhecida. Sua amiga a aconselhou a ler a Bíblia, pois assim ela conseguiria entender o que Jesus estava querendo dizer-lhe. Dito e feito!

Na noite anterior à nossa visita, ela teve o mesmo sonho pela terceira vez. Contudo, nessa oportunidade ela compreendeu quando Jesus lhe disse: “Você merece ser minha filha. Não se preocupe, Eu sempre estarei com você”. A partir daquele dia, ela o aceitou como seu Salvador e pediu o batismo.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


SEMENTES LANÇADAS
2 de junho

Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas. Eclesiastes 11:6

Saímos do Brasil em fevereiro de 2015 com destino a um país árabe, e isso era tudo o que sabíamos. Por sermos jovens, estávamos felizes por servir ao Senhor em um lugar distante, onde a presença cristã é muito pequena.

O primeiro desafio que enfrentamos foi o aprendizado da língua. Após oito meses, pudemos aprender o básico para nos comunicar. Então, comecei a escrever textos bíblicos nas redes sociais usando o idioma local.

Um dia, um dos meus novos amigos veio falar comigo e disse: “Parabéns, agora você está aprendendo a escrever!” Eu agradeci e respondi que aquelas palavras não eram minhas, mas do sermão da montanha, proferido por Jesus Cristo e transcrito na Bíblia. Ele me disse que havia ouvido falar de Jesus, porém nunca tivera uma Bíblia para poder conhecer sua história.

Após essa conversa, Moncef me fez muitas perguntas a respeito de minha fé e ficou surpreso por eu não comer carne de porco, assim como os muçulmanos. Outro ponto que o deixou intrigado foi o fato de eu dedicar um dia na semana para oração e a vida espiritual. Além do sábado, enfatizei que nos outros dias eu também separo tempo para falar com Deus e ler a Bíblia.

Isso o deixou curioso, e ele quis saber se eu também oro cinco vezes ao dia como os muçulmanos. Ficou mais interessado ainda quando soube que são bem mais do que cinco vezes, porque passo o dia todo com Deus, conversando com Ele enquanto estou dirigindo, fazendo compras, em casa e em todas as situações da vida cotidiana. Aquilo abriu o horizonte de Moncef, a ponto de ele dizer que vai aproveitar as horas no trânsito para também falar com Deus.

Depois disso, tive a oportunidade de presenteá-lo com uma Bíblia. Disse-lhe que, quando chegasse em casa, orasse pedindo a Deus ajuda para com­preender a leitura. Moncef ficou muito agradecido pelo presente. O resultado da semente plantada? Só o Senhor sabe. Ore por nós!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


A LINGUAGEM DO AMOR
9 de junho

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. 1 Coríntios 13:1

Era setembro de 2014 quando minha esposa, meu filho e eu desembarcamos no continente asiático com o objetivo de servirmos como missionários. Vivemos em um país remoto, que demanda 36 horas de viagem a partir da América do Sul, localizado próximo da Rússia e da China. Chegamos com um fuso horário total­mente diferente, com a sensação de estarmos literalmente nos confins da Terra.

Logo percebemos que teríamos muitos desafios a enfrentar e que, mais do que nunca, precisaríamos ter a coragem, o desprendimento e a fidelidade de João Batista. Tudo aqui é diferente. Vivemos na região mais gelada do planeta, onde as temperaturas chegam a -50° C. Os costumes são muito diferentes da cultura ocidental, e isso a gente vê não só pelas roupas, comida e música, mas também pelo comportamento. Por exemplo: eles são nômades, ou seja, não moram em um lugar fixo por muito tempo – algo bem exótico para nós!

Entretanto, de todas as diferenças, o idioma está, sem dúvida, entre as maiores barreiras à pregação do evangelho. A língua é muito complexa e, sem ela, é quase impossível interagir com as pessoas, porque poucas entendem o inglês. O português, então? Aqui não serve para nada!

Passei o primeiro ano de trabalho dedicado principalmente ao estudo do idioma, e comecei a fazer bons avanços, conseguindo me comunicar de forma básica com a população. Contudo, quero compartilhar algo com você.

Bat, que na língua local é traduzido “por inabalável”, tem apenas dois anos e ainda não consegue falar direito. Apesar disso, ele se comunica de forma sur­preendente com pessoas de todas as idades. A linguagem que ele usa é verda­deiramente universal, porque ele cativa a todos com sorrisos, beijos e abraços. Os resultados são vistos em todos os lugares onde ele chega. As pessoas ficam impressionadas com o que ele diz, mesmo sem usar uma única palavra.

Os pais do garotinho, nós, recebemos o nome de Mandak e Tsetsegue, termos que significam Sol Nascente e Flor, respectivamente. Já faz três anos que minha esposa e eu desembarcamos no país com nosso filho – o menino de olhos gran­des que aquece o coração das pessoas. Ganhamos novos nomes e novos amigos. A língua do nosso filho é o amor, descrito em 1 Coríntios 13. Aqui ou em qualquer lugar do mundo, todos os esforços são nulos sem amor. O amor é a linguagem que fala mais alto do que as palavras, e o evangelismo que Bat faz nos ensinou isso.

Em nome de nossa família, quero agradecer a você que, apesar de não poder servir em outro país, também tem contribuído para a salvação de pessoas do outro lado do mundo, por meio de sua fidelidade ao Senhor nos dízimos e ofer­tas, responsáveis por manter esse projeto missionário pelos próximos anos.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


ENCONTRO INUSITADO
16 de junho

O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano. Daniel 6:22

Creio que muitos de vocês ouviram falar a respeito das histórias de leões e mis­sionários na África. Conosco não foi diferente. Depois de vários meses de tra­balho árduo em um país situado na costa ocidental africana, decidimos passar um fim de semana visitando o Parque Pandjari, localizado entre Benin e Burkina Faso.

Era uma manhã de sexta-feira. Na entrada do parque, a primeira pergunta que nossos filhos fizeram aos guardas foi se veriam leões. Eles responderam afirmativamente, e ficamos ansiosos durante o passeio para ver o “rei da selva”. No entanto, para nossa tristeza, percorrermos quase 250 km vendo de tudo, menos leões. Assim, entendemos que era propaganda enganosa para turistas.

Ao se aproximar o horário do pôr do sol, escolhemos uma clareira na beira do rio para fazer nosso culto e receber o sábado. Descemos do carro, nos aproxi­mamos do barranco, na beira do rio, e cantamos as músicas preferidas de nossos filhos. Ficamos cerca de meia hora naquele lugar, admirando o cenário e agrade­cendo a Deus pela oportunidade de estarmos em meio à natureza tão exuberante.

Como estava ficando escuro, voltamos tranquilamente para o carro, estacio­nado a cerca de 30 metros de nós. Assim que entramos no veículo e acendemos os faróis, percebemos que havíamos sido seguidos por um animal. A princípio, pensamos se tratar de uma mula, por causa do tamanho; mas, para nossa grande surpresa, descobrimos que era uma leoa. Ela passou ao lado da janela do motorista!

Não é preciso dizer que ficamos parados e tremendo por uns bons minutos, agradecendo a Deus por ter salvado nossa vida. Ali aprendemos algumas lições. O Senhor nos preservou, apesar de nossa imprudência. Assim, nunca mais nos expusemos a perigos desnecessários. Aprendemos também que as promessas divinas são reais porque, de fato, “o anjo do senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmo 34:7).

Ao dar as boas-vindas ao sábado, procure se lembrar de quantas vezes Deus também cuidou de você e o protegeu dos perigos. Agradeça a Ele pela fidelidade de suas promessas. Aproveite e louve porque as misericórdias do Senhor duram para sempre.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


BARREIRAS DERRUBADAS
23 de junho

Jesus, fitando neles o olhar, disse-lhes: Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível. Mateus 19:26

“E se alguém apagar a luz durante o encontro, o que acontece?” Eram perguntas assim que Ahmet fazia tentando entender o que se passava em nos­sos cultos. Sua esposa, Sevgi, era uma adventista que havia acabado de descobrir nosso pequeno grupo e desejava participar dos encontros. Entretanto, para seu marido, um muçulmano, a reunião com ocidentais representava um grande risco, e isso ficava claro em suas perguntas estranhas.

Passamos um longo tempo respondendo aos questionamentos dele, expli­cando nossa fé, nossos costumes e preceitos. Durante a semana seguinte nós oramos e, na sexta-feira, recebemos a mensagem de que Sevgi poderia estar conosco no sábado.

Novamente oramos, agora para que Deus movesse o coração de Ahmet, a fim de que sua esposa pudesse continuar frequentando nossa comunidade. Contudo, para nossa tristeza, no sábado seguinte sua autorização foi revogada. Foi assim durante quatro meses. Em alguns sábados ela recebia autorização, em outros, Sevgi só podia adorar a Deus na solidão de seu quarto.

No fim daquele ano, preparamos uma cerimônia de Santa Ceia e, faltando poucos minutos para começar a programação, recebemos uma mensagem de Ahmet, dizendo que estava de folga e gostaria de se unir a nós. Ficamos preo­cupados com a situação, porque o rito da comunhão é uma das celebrações de maior identificação do cristianismo. Entendemos que não seria bom que um muçulmano visse um culto cristão pela primeira vez em uma ocasião como aquela. Assim, decidimos orar, pedindo a Deus que conduzisse a situação.

Ahmet ficou muito à vontade, atento à programação, e pediu para que reali­zássemos mais cultos à noite, a fim de que pudesse participar.

Aos olhos humanos seria impossível mover o coração daquele homem tão cheio de preconceitos. Entretanto, o toque do Espírito Santo é capaz de amolecer o mais duro dos corações em apenas uma noite. Poucas horas foram o sufi­ciente para que o Senhor derrubasse as barreiras e o abraçasse com seu amor, porque “para Deus, tudo é possível” (Mt 19:26).

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


QUE JOGO!
30 de junho

Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. Colossenses 4:5

Em certa ocasião, recebi o telefonema de um desconhecido que falava inglês e me pedia uma reunião para conversar sobre um assunto particular. Ele não quis adiantar o motivo e reafirmou a necessidade de discrição. Alguns dias após esse contato, marcamos um encontro no parque da cidade.

Ele se apresentou e me contou sua história. Disse que durante dois anos cursou o mestrado na Inglaterra e que, nesse período, começou a investigar sua própria religião, o islamismo. Isso aconteceu porque a metodologia de estudo previa a pesquisa e o constante questionamento. Ele acabou transportando essa mentalidade para os estudos teológicos e encontrou uma série de inconsistências em sua crença, especialmente no que diz respeito ao perdão.

A partir disso, passou a se interessar pelo cristianismo. No entanto, todos em sua família eram muçulmanos, incluindo sua esposa e seus filhos. Ao vol­tar para o Oriente Médio, o desejo de saber mais sobre a fé cristã continuava. Então, ele decidiu ir a um bairro cristão existente na cidade a fim de conversar com algum líder religioso.

Era um dia de semana e ele soube que, para conversar com um padre, deve­ria estar na igreja aos domingos e aguardar o fim da missa. Ficou decepcionado, porque ser visto naquela região novamente seria perigoso. Entretanto, aquele muçulmano queria que alguém lhe explicasse a Bíblia.

Depois de algumas semanas, ele decidiu abrir o coração a um sobrinho que tinha uma “mente mais aberta”. O jovem lhe disse que, pouco tempo antes, havia conhecido um cristão durante um jogo de basquete no parque da cidade e que tinha o número de telefone dele. Eu era o cristão indicado pelo garoto.

“Você é a pessoa certa para me explicar mais sobre a Bíblia e os cristãos?”, ele perguntou. Contendo minha alegria, respondi que acreditava que Deus o havia conduzido até mim e que, sim, eu era a pessoa certa.

A partir de então, nós nos encontramos uma vez por semana para estudar a Bíblia juntos. Nesses meses, ele teve alguns sonhos com a presença de Jesus. Dias atrás, finalmente, me disse: “Aceitei a Jesus como meu Salvador e aceito a Bíblia como a Palavra de Deus. Agora posso me considerar um cristão?” Após essa pergunta, estudamos sobre o batismo e ele tomou sua decisão.

Deus é maravilhoso! Com esse milagre aprendi que o Senhor deseja que nós nos envolvamos com a comunidade, porque quando menos esperamos (como em um jogo de basquete no parque, por exemplo), Ele nos aproxima de quem precisa dele. Não me lembro quantos pontos fiz naquela partida, mas o resul­tado do jogo foi surpreendente.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


E AGORA, SENHOR?
7 de julho

Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará. Salmo 37:5

Vendemos os móveis, doamos boa parte das roupas, fizemos as malas e nos des­pedimos dos amigos. Às vésperas de nossa viagem rumo ao campo missionário, uma notícia nos deixou muito preocupados: minha esposa estava grávida.

Um filho sempre é uma bênção, mas ficamos temerosos. Estávamos dei­xando o Brasil para servir como missionários em um país desafiador, com cultura e religião diferentes e onde teríamos que aprender uma nova língua. Nem mesmo tínhamos informações sobre o sistema de saúde daquele lugar.

A pergunta que nos vinha à mente era: “E agora?”. Entretanto, Deus nos ordenou a seguir em frente. Concluímos os preparativos da viagem e estudamos o que era necessário para nossa chegada ao novo país.

Contudo, uma semana antes de viajarmos, recebemos a notícia de que, em função de algumas dificuldades, o melhor seria ficar em outro país a fim de nos acostumarmos com a cultura e termos nosso filho com mais tranquilidade. O plano então seria que, no ano seguinte, nós nos mudaríamos para a região planejada a princípio. Novamente o Senhor nos mostrou que esse era o cami­nho a seguir, e embarcamos.

Aquele período foi muito bom, aproveitamos as experiências, mas sempre mantínhamos o pensamento de que ficaríamos apenas um ano. Por isso, sentía­mos estar somente de passagem pelo local e pela cultura, na expectativa do ano seguinte. Contudo, ao final daquela temporada, fomos convidados a permane­cer por mais um ano.

Essas mudanças no planejamento nos fizeram ver que, ao longo da vida, estabelecemos objetivos, corremos atrás de sonhos e quando algo repentino acontece ficamos nos perguntando: “E agora?”

Felizmente, temos um Deus em quem podemos confiar e ter a certeza de que Ele fará sempre o melhor por nós. Durante essas mudanças vimos que tudo o que o Senhor faz é o melhor, e em todas as direções tomadas pudemos enten­der seus planos para cada momento. Uma delas é que nosso filho inesperado é o missionário mais cativante em nossa pequena família. Sem sabermos, Deus nos colocou neste local para, no momento necessário, servir como suporte pastoral na igreja, e Ele tem enviado pessoas sedentas pelo evangelho.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


NOSSA MISSÃO
14 de julho

E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos 16:15

Nunca havia passado por minha cabeça ser missionário, mas minha esposa (na época namorada) colocou isso em meu coração aos poucos, e no último ano do curso de Teologia fiz parte de um projeto evangelístico no continente africano. Aqueles dias de férias foram suficientes para que Deus confirmasse a missão em meu coração.

Depois que me casei e atuei por um tempo como pastor no Brasil, voltei à África, onde eu e minha esposa servimos por dois anos. Foram dias muito difíceis, pois o calor era insuportável e não havia energia elétrica ou água potá­vel. No entanto, superávamos essas dificuldades pela alegria de estar junto a um povo amável e acolhedor. Aquelas experiências marcaram e mudaram nossa vida, pois vivemos milagres modernos a todo instante.

Certo dia fui visitar uma família que havia deixado de frequentar a igreja. Depois de conversarmos um pouco, a matriarca disse: “Pastor, eu era uma ado­radora do diabo, fazia oferendas e o cultuava. A Igreja Adventista do Sétimo Dia me ensinou sobre Deus, apresentou-me a Bíblia e aprendi que o Senhor é mais forte e poderoso do que o diabo. Os muçulmanos têm suas mesquitas, os animistas seus locais de adoração, mas se Deus é mais forte e poderoso do que o diabo, por que temos de adorá-lo em uma pequena sala de aula na escola pública?”

Fiquei pensando em como responder aquela pergunta simples e sincera. Expliquei acerca das dificuldades de pregar o evangelho ao redor do mundo, da aquisição de recursos e de conseguir missionários, entre outros desafios.

A questão da adoração neste país é algo cultural muito forte. Se temos templos construídos com luz elétrica, uma boa programação com projeções e músi­cas, muitos serão alcançados.

Por muitas vezes chorei ao pensar em tudo que temos e no quanto Deus nos abençoa, e mesmo assim, não estamos satisfeitos. Temos igrejas bonitas e confortáveis, onde nada nos falta e, ao invés de louvarmos, adorarmos e tra­balharmos arduamente na obra do Senhor, sempre achamos algo para criticar. Parece que nunca nos contentamos com o que temos!

Não devemos nos esquecer de que há lugares que ainda precisam ser alcan­çados e que vidas necessitam ser transformadas. Deus foi maravilhoso, pois, gra­ças a doações, atualmente temos igrejas construídas naquele país. Lembre-se de que a missão é feita com os pés daqueles que vão, os joelhos daqueles que ficam e as mãos daqueles que doam. De quais maneiras você pretende se envolver?

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


DEUS CUIDA DE NÓS
21 de julho

Confia os teus cuidados ao SENHOR, e Ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado. Salmo 55:22

Meu esposo e eu servimos como missionários na África, onde atuamos diretamente em algumas igrejas e também na escola adventista. Entre nossos desa­fios, tínhamos o plano de ter um prédio próprio, a fim de atender nossos alunos com mais conforto e eficiência.

Fizemos alguns contatos no Brasil, e meu esposo viajou com o intuito de angariar fundos para esse projeto. Entretanto, como eu era diretora da escola, não pude acompanhá-lo. O país vivia um período de eleição presidencial, e o ambiente parecia favorável à minha permanência sozinha.

Certa noite, ouvi barulhos muito altos próximo de nossa residência. Logo comecei a ouvir sirenes de ambulâncias e pessoas conversando em voz alta. Fui à casa de uma família pastoral vizinha a nós, e soube que aqueles estampidos eram de granadas e tiros disparados no momento em que ocorreu um golpe militar. Todos os bancos foram fechados e as entradas e saídas do país ficaram bloqueadas. O povo temia uma nova guerra civil e eu estava ali, sozinha e sem saber o que pensar. Não podia sair do país, e meu esposo não podia voltar.

Após algumas semanas, com o bloqueio do trânsito, os mercados começaram a sofrer desabastecimento, já que o porto também havia sido fechado. Começou a faltar comida e água potável, e o que tinha no país estava sendo vendido a preços altíssimos. Havia toque de recolher às 19 horas todos os dias, e um clima de incerteza tomou conta de todos.

Os mantimentos começaram a acabar, mas graças a Deus tínhamos dinheiro de doações guardado em casa. Alguns irmãos começaram a passar necessidade e, com o recurso que estava em minhas mãos, pude comprar o que precisava e auxiliar os que estavam com dificuldades em nossas igrejas.

Naquele momento entendi porque Deus havia permitido que eu estivesse lá, mesmo que sozinha, pois Ele me usou para abençoar pessoas que realmente precisavam de ajuda.

Depois de algumas semanas, as fronteiras foram novamente abertas. Então voltei ao Brasil para reencontrar meu esposo e aguardar o desenrolar da situa­ção. Durante esse período, orávamos muito e desejávamos retornar ao campo missionário. Mesmo diante do apelo de muitas pessoas para ficarmos em nosso país, decidimos continuar nossa missão, pois nosso coração estava lá.

Foi maravilhoso quando voltamos à África! Muitos não acreditavam que retornaríamos e se sentiram amados por nós e por Deus com nossa presença. Apesar de todo medo que senti, foi impressionante perceber que o Senhor que­ria me usar. Eu só precisava confiar que Ele estava cuidando de mim.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


SALVO POR UMA CRIANÇA
28 de julho

Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. Isaías 11:2

Era uma quinta-feira e estávamos servindo como missionários em um país afri­cano. Por volta das 21 horas, ouvimos alguém chamando no portão. Pela janela vi que era um de nossos irmãos com suas duas filhinhas, uma com cinco e a outra com dois anos.

Quando os recebi, ele disse que não estava ali por um motivo bom e come­çou a chorar copiosamente. Então, peguei as crianças e as levei para a cozinha, enquanto meu esposo procurava confortá-lo. Após alguns minutos de choro, a conversa pôde recomeçar.

Aquele membro da igreja disse que, desde nossa chegada ao país, prestava atenção ao nosso relacionamento familiar e queria conversar conosco. Chegou a vir ao nosso portão algumas vezes, mas, sem coragem, retornou.

Ele enfrentava problemas em seu matrimônio e contou-nos toda a história do casal. Destacou também como via a atuação de Deus para que ficassem juntos, mesmo com a reprovação de ambas as famílias. Então, anos depois de casados, nosso irmão sentia que sua esposa não o amava mais e que dedicava atenção apenas às crianças.

Durante as constantes discussões, erros do passado voltavam à tona e ele sentia um forte desejo de ir embora e abandonar a família. Confessou que, pro­curando se sentir melhor, havia encontrado conforto na bebida, o que somente piorava a situação familiar.

Após algum tempo, mais calmo, ele nos contou que naquele dia havia chegado ao limite e planejara tirar a própria vida. A estratégia era levar as filhas a uma con­feitaria, deixá-las por ali degustando um bolo e afastar-se para cometer suicídio.

Como pretexto para sair de casa, disse às crianças que fariam um passeio. Foi então que a filha mais nova perguntou se eles iriam à minha residência. Por esse motivo ele apareceu aquela hora da noite e estava tão consternado.

“Tive a certeza de que foi o Espírito Santo que falou à minha filha, porque se eu não tivesse vindo falar com vocês, neste momento estaria morto. Confio só em vocês”, relatou.

Esse episódio nos marcou muito, pois vimos a atuação direta de Deus através de uma menina de dois anos, a fim de salvar a vida do pai e o futuro de sua família.

Naquela noite abrimos a Palavra de Deus e oramos. Depois, ele voltou para casa com suas filhas. Louvado seja o Senhor, que nos usa de uma forma tão admirável a fim de fazer a diferença na vida de outros, assim como Ele faz em nossa vida!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


OPORTUNIDADES
4 de agosto

Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. Colossenses 4:5

Servimos como missionários em um país asiático, onde as temperaturas podem chegar a -40°C. Nosso inglês é básico e ainda precisamos aprender o idioma local. Apesar dessa dificuldade, desde que cheguei tenho pedido a Deus que me use de alguma maneira para pregar sua mensagem, ainda que seja sem palavras.

Certo dia, quando fui à Missão Adventista, deparei-me com os livros A Grande Esperança e O Grande Conflito na língua local. Adquiri alguns e comecei a carregar em minha bolsa, pedindo ao Senhor que me desse a oportunidade de entregar às pessoas certas no momento certo.

Um dia, fomos a um mercado popular. Na volta, percebemos que estávamos perdidos e muito longe de nossa casa. Para piorar, não sabíamos como voltar de ônibus. Tentamos pedir informação, mas parecia em vão, pois as pessoas não nos entendiam.

Um jovem que falava um pouco de inglês conseguiu nos entender; mas não sabia indicar-nos a direção correta. Entretanto, preocupou-se de tal maneira que perguntou o caminho a várias pessoas. Inclusive, parou um táxi para informar-se com o motorista. Assim, decidiu seguir conosco na condução para garantir que chegaríamos em segurança a nosso lar.

Durante o percurso, gastamos todo nosso inglês tentando aprofundar a con­versa, mas não tínhamos fluência para isso. Foi aí que me lembrei do livro e senti que deveria entregá-lo. Como não sabia o que dizer, apenas o retirei da bolsa e o ofereci.

Ele pegou, olhou, disse que era interessante e fez menção de devolver. Consegui dizer que era um presente, e ele aceitou. Quando chegamos em casa, o jovem fez questão de pagar a corrida e disse que gostaria de ser nosso amigo. Atualmente, mantemos contato com ele e oramos para ter a oportunidade de transmitir-lhe a mensagem de Deus.

Acredito que naquele dia não nos perdemos por acaso, pois havia um pro­pósito em meu coração de alcançar uma pessoa com o evangelho. Apesar de nossas limitações, quando Deus nos chama, Ele pode nos usar.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


A ORAÇÃO DO XAMANISTA
11 de agosto

Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito. Provérbios 16:2

No país asiático onde moramos, as temperaturas são congelantes a maior parte do ano. No mês de julho, quando é verão, nós e alguns amigos decidimos conhecer um pouco do interior de nosso campo missionário.

Ao retornar para casa, o motorista não sabia ao certo como voltar, pois a maior parte do trajeto passa por montanhas, rios e pastagens. Estávamos completa­mente perdidos no meio do “nada”. Depois de tentar vários caminhos, resolvemos procurar alguém que nos informasse a direção correta, mas não havia nenhum sinal de moradores naquele lugar. Isso nos levou a orar a Deus pedindo ajuda.

Imediatamente, vimos um homem logo adiante com cabras e cavalos pró­ximo a um rio. Paramos para nos informar, e o desconhecido nos explicou o caminho. Foi aí que ele fez um pedido. Disse que sua esposa estava em uma cidade próxima desde o nascimento do filho deles e que não tivera a oportuni­dade de visitá-los. Sua proposta era nos guiar em troca de uma carona.

Ficamos apreensivos, porque não o conhecíamos e o carro estava cheio. Contudo, compreendemos a necessidade de ajudá-lo. Ele falava um pouco em inglês e logo pudemos conversar, auxiliados pelo motorista, que falava a língua local.

O homem nos contou que estava ali esperando uma carona. Como não encontrava formas de ir até o hospital onde a esposa e o filho estavam, foi até o rio e, colocando a mão na água, pediu que alguém bondoso aparecesse para ajudá-lo. Essa é uma prática comum entre os xamanistas daqui.

O xamanismo é um conjunto de crenças ancestrais que busca contatar outros planos de consciência a fim de obter conhecimento, poder, equilíbrio e saúde, trazendo tranquilidade, paz e profunda concentração, que estimulam o bem-estar físico, psicológico e espiritual. Os rituais xamanistas englobam prá­ticas de magia e evocações para estabelecer contato com o mundo espiritual.

Quando ele nos contou que havia feito uma prece ao rio e que foi atendido, ficamos surpresos e entendemos que, em sua sinceridade, Deus o atendeu, apesar de aquele homem nunca ter ouvido falar sobre o Senhor.

O Criador vê a todos diferentemente de nós, e fiquei feliz em ser a resposta da “oração” de nosso guia inusitado. Aproveitamos a ocasião para falar a respeito de Deus, que o colocou em nosso caminho em resposta a nosso próprio pedido.

Apesar de não termos mais notícias desse homem, essa foi a primeira opor­tunidade que ele teve de ouvir falar em Deus. Oramos para que novas chances de conhecer a Deus melhor apareçam no caminho dele. Oramos também para que mais pessoas que precisam conhecer a respeito da breve vinda de Jesus apareçam em nosso caminho. Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


LIVRES DOS SAQUEADORES
18 de agosto

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tributações. Salmo 46: 1

Estávamos em um país africano onde a seca e a recente guerra civil tornavam a situação preocupante. Implementávamos um programa de resposta a emergên­cias e, como missionários, também enfrentávamos muitas dificuldades.

Íamos à capital a cada três meses, quando ocorriam reuniões de trabalho e podíamos comprar mantimentos, receber cartas e telefonar para nossos familiares. Essas viagens só eram possíveis sob a proteção do exército, já que os comboios eram constantemente atacados por guerrilheiros.

Na capital havia uma grande estrutura da ADRA, com escritório próprio, caminhões, veículos, tanque de combustível e armazém com capacidade para 1,5 tonelada de alimentos. Esses recursos eram usados para levar auxílio às aldeias. A ADRA os recebia por via marítima, mas como havia bancos de areia próximo ao porto, precisávamos usar barcos e balsas para transportar a mercadoria.

Certo dia eu estava no escritório quando fui chamado pelo rádio. Havia muito barulho, gritaria e até tiros! Pediam-me para ir ao porto com urgência, o que fiz sem saber do que se tratava. Encontrei uma multidão alvoroçada cor­rendo com sacas nas costas, enquanto seguranças atiravam para o alto.

Duas balsas estavam ancoradas. A primeira, com milho pertencente à ADRA, e a segunda, com açúcar pertencente ao governo. A cada momento chegavam mais pessoas, e até os policiais destacados para conter o roubo começaram a saquear a balsa também. Logo, os milicianos também chegaram, saqueando.

Para chegar à balsa com açúcar, eles passavam por cima do nosso milho. Eu não conhecia o idioma local e demorei a saber o que realmente estava aconte­cendo. No entanto, um integrante de nossa equipe traduziu para mim o que conseguiu ouvir da multidão:

“Eles dizem que estão pegando apenas o que lhes pertence, porque o governo não está entregando açúcar aos necessitados. Mas dizem que não vão pegar nada da ADRA, pois sabem que entregamos tudo nas aldeias”, informou. Havia um plano governamental de troca de açúcar por peixe seco, algo que não estava ocorrendo de acordo com a expectativa da população. Por isso, houve esse transtorno.

Em três horas foram saqueadas 40 toneladas de açúcar. Do nosso carregamento, apenas uma saca foi perdida, pois caiu no mar quando as pessoas corriam sobre a balsa. Mesmo assim, quando viu que haviam derrubado milho no mar, um homem mergulhou para recuperá-lo, sendo ajudado por outros saqueadores.

Isso mostra que um trabalho feito com honestidade desperta o reconheci­mento da população. Depois da confusão, pudemos terminar de descarregar o navio e ter nossos produtos seguros em nosso armazém. Louvamos a Deus porque Ele protegeu os recursos destinados à prática do bem.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


O INTERROGATÓRIO
25 de agosto

Mas quando os prenderem, não se preocupem, quanto ao que dizer, ou como dize-lo. Naquela hora lhes será dado o que dizer. Mateus 10:19 (NVI)

Eu estava preparando os últimos detalhes no local onde iniciaríamos uma série de reuniões direcionadas às famílias e ainda precisava fazer algumas compras para a inauguração do nosso Centro de Influência. Enquanto conversava, meu amigo me disse que deveria acompanhá-lo, porque estávamos sendo intimados por pessoas do governo.

Questionei se isso não poderia ocorrer em outra data, uma vez que estávamos tão ocupados, mas ele me disse que teria que ser naquele momento e que os oficiais queriam saber o que fazíamos no país.

De carro, fomos até o local marcado para a entrevista. Eu me encontrava muito nervoso, pois não compreendia o motivo da urgência; meu amigo, porém, estava mais tranquilo. Esperamos por alguns minutos e ninguém apareceu. Assim que meu colega foi perguntar por que havíamos sido intimados, a situa­ção começou a piorar.

Antes tranquilo, agora ele se mostrava preocupado e me disse que haviam nos mandado a outro lugar. Por causa da falta de fluência no idioma local, demoramos a entender que deveríamos nos apresentar à polícia secreta.

Isso significava uma grande mudança na situação! Sabíamos a diferença entre falar com a imigração e com oficiais da polícia secreta. Imediatamente, telefonamos para nossas famílias e pedimos que orassem.

Na entrada, tivemos que deixar nossos documentos e celulares. Em seguida fomos encaminhados a uma sala pequena, onde havia somente três cadeiras e uma mesa. Então, um oficial começou a nos interrogar. Ele fazia perguntas para mim e as repetia ao meu colega. Depois de terminar, vieram outros dois investigadores que fizeram mais questionamentos. Queriam saber o que fazíamos, quem havia nos enviado e pediram para descrever todas as nossas atividades no país.

Finalmente me tiraram da sala, mas mantiveram meu amigo sob inquérito por mais uma hora. Do lado de fora, eu continuava sendo investigado. Creio que buscavam incoerências em nosso depoimento.

Depois de mais duas horas pudemos deixar o prédio e voltar para casa, onde abracei minha família. Até hoje não sei o que motivou esse interrogatório, mas agradeço a oportunidade de voltar para minha esposa e meus filhos.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


CORAÇÃO DE CRIANÇA
1º de setembro

E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. Mateus 18:3

Uma das mais belas lições que aprendemos no campo missionário foi dada por crianças muçulmanas e nossa filha. Quando decidimos ir para outro país, li vários livros que diziam ser importante separar duas semanas para conviver inten­samente com uma família local, a fim de aprender a nova cultura e se preparar para as dificuldades inerentes à missão.

Assim, oramos pedindo a Deus para nos proporcionar essa experiência com uma família muçulmana, e Ele nos respondeu de uma forma admirável. O dire­tor do Centro de Influência da cidade conhecia uma família de refugiados da Síria disposta a nos receber nesse período de adaptação e aprendizado.

Eu tinha uma preocupação referente a minha filha de dois anos, pois, desde que havíamos deixado nosso país, essa seria a sétima casa em que viveríamos, todas em países diferentes. Algumas mudanças não haviam sido fáceis para ela, e me perguntava como seria dessa vez. Todos os dias eu orava a Deus sobre isso. Expliquei à nossa filha que a casa para onde estávamos indo tinha muitas crianças, e ela me pareceu um tanto assustada com isso.

O imóvel era pequeno e havia apenas dois quartos, onde viviam sete pessoas. Elas se acomodaram no quarto maior e, gentilmente, cederam um quarto para nós. Minha insegurança se desfez imediatamente quando a criança mais nova da família, com seis anos, tomou minha filha pelas mãos e a levou para brincar. A partir desse momento se tornaram amigas inseparáveis.

Aquela estada foi um curso intensivo de cultura, língua, religião e comportamento do povo a quem iríamos pregar. E pensar que eu estava tão ansiosa! Aprendemos coisas que levaríamos tempo para notar, por exemplo, como comer com as mãos, sentar-se no chão, tirar os sapatos para entrar em casa, entre outros costumes diferentes dos nossos.

No campo missionário, para nos misturar às pessoas e ser aceitos por elas, precisamos antes observar como se vestem, falam e se comportam. Um exem­plo é que, durante as semanas que vivi com aquela família, decidi usar o hijab – véu – pois, para eles, isso é sinal de respeito. Foi interessante, porque minha filha também quis usá-lo.

Contudo, o ensinamento mais importante desse período foi o amor, porque embora essa experiência tenha ocorrido há mais de dois anos, minha filha continua perguntando por suas amigas muçulmanas. Tenho certeza de que nossa per­manência com eles também representou um outro olhar sobre o cristianismo.

Assim como eu, desejo que você entenda que somente se tivermos o desprendimento e o amor de uma criança, poderemos concluir o trabalho de Deus na Terra. Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


MILAGRES NO FIM DO MUNDO
8 de setembro

Os países do mar viram isto e temeram, os fins da terra tremeram, aproximaram-se e vieram. Isaías 41:5

Chegamos à ilha em 2015 para a maior missão de nossa vida. Este país é secularizado e com muitos ateus, e o clima frio parece influenciar o comportamento dos moradores. São muitos dias nublados, com vento forte, e isso parece entriste­cer o coração.

Enquanto escrevo este texto, há notícias de tensão governamental e política. Aqui há muitos desafios e alguns parecem muito difíceis, como o nacionalismo exacerbado e o preconceito com estrangeiros. Esse é um rótulo que temos aqui.

Nosso sonho era comprar uma casa que pudesse ser transformada em um Centro de Influência. Contudo, há uma lei nacional que proíbe a compra de imóveis por estrangeiros. Oramos ao Senhor pedindo essa bênção especial, mas nosso pedido de compra foi rejeitado três vezes pelo governo.

Um dia, enquanto estava em um supermercado, fui abordado por um senhor, questionando o que fazíamos na ilha. Respondi que tínhamos o plano de adquirir uma casa para realizar atividades beneficentes. Imediatamente, a ira tomou conta dele, e seu rosto ficou muito vermelho. Ele foi duro ao dizer que nunca iríamos comprar terras aqui, pois elas pertencem somente aos nativos.

Fiquei impressionado com a arrogância daquele cidadão, mas confiante na soberania de Deus e na condução do projeto. Em reuniões realizadas pelo advogado adventista com representantes do governo, o pedido havia sido negado outras vezes. Entretanto, continuamos fazendo nossas solicitações de compra.

Cerca de três meses depois, a aquisição de uma casa em um enorme terreno foi aprovada pelo governo de maneira miraculosa. Houve um grande debate interno, e as leis foram adaptadas para essa situação.

Atualmente nos reunimos com 12 amigos que gostam de ouvir a respeito de Jesus. Eles são nativos e têm familiares que moram na ilha. Somos felizes e ficamos emocionados por ter a oportunidade de plantar a semente do evangelho nessa parte do mundo tão distante e tão desafiadora.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


UM NOVO OLHAR
15 de setembro

Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Isaías 58:13-14

Logo que chegamos ao sul da Ásia, minha esposa e eu encontramos um misto de cultura milenar, modernidade e uma igreja que tem enfrentado décadas de per­seguições, dificuldades e limitações para crescer. Conhecemos também pessoas sinceras, entre elas, uma dedicada professora adventista do sétimo dia que atua na região junto a seu esposo e filho.

O casal abriu um pequeno playground ao sul do país. Eles desejavam ser­vir à comunidade, e esse pequeno Centro de Influência passou a funcionar de domingo a sexta-feira. Aos sábados, permanecia aberto para crianças que haviam pagado antecipadamente e também para visitantes. Embora tivessem um objetivo nobre, a abertura no sétimo dia era claramente contrária ao manda­mento bíblico, porque eles e os funcionários permaneciam envolvidos com seu trabalho regular em parte do sábado.

Após algum tempo, as coisas começaram a ir mal, e as entradas não estavam cobrindo as despesas de aluguel e manutenção do espaço. A professora Ming pediu para orarmos e ajudarmos com alternativas para recuperar o negócio. Sugerimos implementar novos serviços, deixar o espaço mais bonito e investir na divulgação. Contudo, isso ainda não foi suficiente.

Em um momento apropriado, após orarmos, convidamos Ming e seu esposo para conversar. Apresentamos textos bíblicos sobre o sábado. Ao fim, sugerimos que nenhuma mudança fosse feita antes de o casal orar e verificar por si mesmo a verdade acerca dos mandamentos.

Algum tempo depois, eles decidiram fechar o espaço totalmente aos sába­dos. Agora, tanto eles quanto os funcionários podem descansar, ir à igreja e fazer ações missionárias. Após essa mudança, além de terem conseguido estabilizar as finanças do playground, nossos amigos abriram dois pequenos grupos sobre Educação Cristã e Saúde, para atender os pais das crianças.

Atualmente, muitas crianças e pais frequentam esse Centro de Influência. Por meio do trabalho realizado, eles têm a oportunidade de conhecer a Jesus num país em que menos de 3% da população professa alguma crença religiosa. Quando permitimos que o Senhor corrija nossos pontos de vista e decidimos ser fiéis à Sua Palavra, experimentamos seu cuidado, direção e amor, além de nos tornarmos instrumentos para que outros possam encontrar a Cristo.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


DEUS PROVERÁ
22 de setembro

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Mateus 5:11

Ao chegar à cidade que seria nossa casa, encontramos mais de 2 milhões de pessoas, das quais 99% eram muçulmanas. Nós sabíamos que não havia nenhuma congregação adventista lá, mas estávamos decididos a encontrar alguns irmãos de fé naquela região. Depois de algum tempo, fomos informados da pre­sença de sete jovens adventistas estrangeiros. Decidi então procurá-los, para que tivéssemos a chance de adorar a Deus juntos.

Como a Igreja Adventista do Sétimo Dia não era credenciada pelo governo, não havia lugar para nos reunirmos aos sábados, a não ser minha casa. Após algumas semanas reunindo-nos, soube que nossa atividade despertara a atenção das autoridades locais.

Policiais me abordaram, atendendo a uma denúncia de que havia um ponto de prostituição e trabalho ilegal em minha residência. Fui chamado para depor na delegacia, sem entender porque eles pensavam isso de nós.

“Os vizinhos apenas confirmaram o que estávamos investigando. Você está exercendo a prostituição em casa e usando trabalho ilegal em seus negócios”, disse o delegado. Procurando explicar a presença daquelas pessoas semanal­mente em meu lar, perguntei ao policial o que comprovava a denúncia. Ele me disse que o primeiro sinal era a presença de mulheres com saias até os joelhos e, o segundo, o fechamento completo das janelas.

Só então pude entender o motivo das suspeitas. Nessa região as mulheres usam o hijab, que, além do véu, pode incluir um vestido que cobre todo o corpo, uma prática não adotada por nossas irmãs adventistas. Em relação às janelas, obviamente as havíamos fechado, temendo que as pessoas vissem que estáva­mos cultuando a Deus, algo proibido no país.

Pude explicar-lhe que as mulheres eram estudantes estrangeiras e, por isso, as roupas que elas usavam eram diferentes daquelas adotadas pela população local. Pedi desculpas por esse mal-entendido e disse que não haveria mais nenhum encontro em minha casa.

Em busca de outro lugar para nos reunir, decidi procurar uma paróquia católica. O padre insistiu para que participássemos da missa, negando a auto­rização para o uso do local aos sábados. Entretanto, no momento em que saía­mos, fomos abordados pela líder do trabalho social que eles realizavam ali, oferecendo um salão que atualmente se tornou “nossa igreja”. Pela graça de Deus, 21 adventistas congregam aos sábados em nosso grupo.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


UMA BÍBLIA EM ÁRABE
29 de setembro

Eu plantei, Apoio regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 1 Coríntios 3:6, 7

Depois de muitos meses de amizade e conversas cada vez mais francas sobre religião, nossa professora de árabe e francês adquiriu uma nova visão do cris­tianismo. Ela é uma muçulmana fervorosa e decidiu dar-me um Alcorão de pre­sente. Era o sexto que havia ganhado desde que chegamos aqui.

Aproveitando a oportunidade, dei-lhe um Novo Testamento em francês, e combinamos que eu leria o livro que ela me deu enquanto ela lia o meu pre­sente. Fiquei preocupado, porque o esposo dela também é muito religioso, e se ele me denunciasse por estar pregando no país, poderia ser condenado a até cinco anos de prisão.

Passadas algumas semanas, perguntei à professora se havia conseguido ini­ciar a leitura. Ela me disse que o texto era muito agradável e que nunca havia lido algo parecido. Afirmou ainda que a leitura lhe trouxe paz e que estava gos­tando de conhecer o “personagem Jesus”. “Só não leio mais porque sinto muita dor de cabeça”, completou.

Entendi que a causa desse desconforto era o esforço para ler em outro idioma. Orei a Deus e disse a ela que tinha um exemplar das Escrituras em árabe, arris­cando mais uma vez ser denunciado. No país, uma Bíblia nessa língua pode ser considerada um artigo de luxo por ser ilegal; além disso, pode ser a prova de que alguém está pregando o cristianismo. Ela aceitou a troca e continuou a leitura.

A professora me contou que seu marido sabia das leituras diárias que ela fazia e que, inclusive, havia autorizado que mantivesse o livro na cabeceira da cama. Pouco depois, ela me disse que começou a ler algumas porções para o esposo. Enquanto ouvia, ele comparava o texto bíblico com os escritos do Alcorão.

Há poucos dias fomos informados de que seremos transferidos de cidade. Não sei como essa história vai continuar, mas tenho certeza de que Deus vai concluir a obra!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


LIÇÕES DO RAMADÃ
6 de outubro

Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos. Mateus 9:13

Entre os pilares do islamismo, talvez o mais conhecido seja o Ramadã. Todos devem participar, exceto crianças abaixo de 10 anos, pessoas doentes e mulhe­res grávidas, ou em período pós-parto ou menstrual. Isso é tão sério que se qual­quer muçulmano for pego comendo ou bebendo algo em público, é preso.

Se durante o dia todos estão em jejum, ao cair a noite tudo muda no país. Famílias se reúnem ao pôr do sol para o “café da manhã”, enquanto a refei­ção principal ocorre um pouco antes do nascer do sol. O Ramadã transforma não apenas a rotina e os horários das famílias, mas também de todo o comér­cio. Restaurantes, lanchonetes e shoppings abrem e fecham suas portas em horá­rios diferenciados. Mesmo os órgãos públicos iniciam suas atividades somente a partir das 10h30, enquanto alguns o fazem somente ao meio-dia. Apenas os serviços essenciais à população funcionam nos horários convencionais.

Nos dez últimos dias do Ramadã, os muçulmanos devem dedicar o maior tempo possível para se aproximar de Alá, indo com mais frequência à mes­quita e dedicando-se mais à leitura do Alcorão. No fim dos 30 dias, começa o Id al-Fítãr, uma festa que marca a quebra do jejum, quando é feriado nacional e todas as famílias se encontram. Ainda nesse período, os muçulmanos devem dar aos pobres esmolas no valor de uma refeição.

Em 2015, o calendário islâmico apontou o início do Ramadã para 18 de junho, começo do verão no Oriente Médio, o que tornou os dias mais longos e o jejum, portanto, mais difícil a seus adeptos. O nono mês do calendário muçul­mano, quando o Ramadã inicia, é muito importante, porque nele teria ocorrido a primeira revelação do Alcorão ao profeta Maomé.

Você deve estar se perguntando: o que representa esse jejum? A ideia é fazer com que os mais abastados sintam durante 30 dias o que os pobres sentem durante o ano todo. Entretanto, segundo alguns, o Ramadã perdeu seu signifi­cado espiritual e tornou-se apenas uma “celebração popular” com fins comerciais.

Artigos de decoração para casa e alimentos para ser degustados entre fami­liares e amigos são vendidos como em nenhuma outra época do ano. Até mesmo as redes de comunicação exibem programas exclusivos nesse período.

Isso me levou a pensar se algumas das práticas de nossa vida cristã também não perderam o real propósito. Qual a verdadeira razão para ir à igreja? Nossas orações são repetições mecânicas, artificiais ou uma sincera expressão do que esta­mos sentindo? Na teoria é sempre mais fácil e mais bonito; contudo, para Deus, o que realmente importa é a intenção por detrás das ações. Reflita sobre isso nesse início de sábado.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


CHAMADO A CONFIAR
13 de outubro

Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e o mais Ele fará. Salmo 37:5

Eu tinha 16 anos quando ouvi pela primeira vez o chamado divino para ser um missionário. Os anos se passaram e, em 2014, escutei o Senhor novamente me chamando para essa tarefa. Eu queria muito, mas não sabia como nem por onde começar.

Perguntei a Deus: “Para onde devo ir, Senhor?” Então, Ele me disse cla­ramente o país para onde eu deveria ir. Naquela época, minha esposa e eu estávamos servindo no ministério pastoral e educacional. Parecia imprudente abandonar tudo e seguir em direção ao desconhecido. Na opinião de alguns, essa seria só uma aventura de um casal de jovens. Outros, achavam que era lou­cura. Quanto a mim, considerava isso um chamado. Mas que tipo de chamado? Um chamado a confiar.

Preciso resumir minha história dizendo que nós decidimos ir mesmo sem nenhuma perspectiva, somente confiando no chamado divino. O Senhor pro­veu para nós tudo o que precisávamos: amigos, dinheiro para as despesas e até mesmo um trabalho.

Enquanto estudávamos no Líbano, recebemos o convite para servir a Deus em um colégio interno adventista em outro país. Apenas quatro meses após termos deixado o Brasil, o Senhor estava nos conduzindo a um novo desafio e para a realização do sonho missionário.

Contudo, o chamado permanece. O chamado a confiar não é algo que res­pondemos uma única vez em nossa vida. Deus pede diariamente de cada um de nós a submissão de nossa confiança a Ele.

Vou dar-lhe uma dica: Comece a anotar o que o Senhor tem feito em sua vida. A isso eu chamo de “diário das manifestações de Deus”. Isso o ajudará a ver quantas coisas Ele tem feito por você e lhe dará forças para continuar confiando.

Conforme as palavras de Ellen White: “Ao ver o que Deus tem realizado, encho-me de admiração e de confiança na liderança de Cristo. Nada temos a temer quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e seu ensino em nossa história passada” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 315).

Que sua resposta sempre seja “sim” ao chamado a confiar.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


VENCENDO O MEDO
20 de outubro

Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares. Josué 1:9

Quando meu marido mencionou pela primeira vez a possibilidade de sermos missionários, achei que aquele desejo era só uma fase e logo passaria. Um ano depois, o assunto se tornou conversa recorrente em nossa casa, e então percebi que precisaria me posicionar sobre o assunto.

Comecei a ter pensamentos conflituosos, que iam da empolgação ao total desespero. Não sabia se essa realmente era a vontade de Deus para nossa vida, afinal, “enganoso é coração do homem” (Jr 17:9). Medo e ansiedade inunda­vam minha mente, e um histórico de depressão minava minha confiança em Deus e em mim mesma.

Em um dia particularmente difícil, orei antes de sair para o trabalho, pedindo uma resposta divina. Quando comecei a fazer o culto com meus alunos do 5º ano, ouvi Deus respondendo minha oração por meio da inspiração juvenil. Naquele dia, após contar a história do pioneiro adventista John N. Andrews, o texto trazia um apelo para o campo missionário.

Tenho que confessar que ainda relutei em tomar a decisão de ir. Em sua misericórdia, o Senhor falou comigo e me respondeu a cada vez que pedi. A paz de Deus, que excede todo o entendimento, deu-me forças para dizer “adeus” à comodidade e as facilidades que tínhamos no Brasil, a fim de seguir para uma nova jornada, que tem sido de muito aprendizado.

Os sentimentos de insegurança ainda vêm, mas diariamente escuto a voz de Deus pedindo-me para entregar esses fardos a Ele, que tudo pode.

Não sei qual é seu chamado, mas tenha certeza de que ele vem com a pro­messa: “Sé forte e corajoso, porque o teu Deus é contigo!”

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


MILAGRE NA UNIVERSIDADE
27 de outubro

Orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos. Efésios 6:18

Em 2015, nos mudamos para o Oriente Médio a fim de estudar. Aqui o sábado é o primeiro dia útil, e quinta e sexta-feira são o final de semana. Este foi nosso primeiro desafio: a universidade tem aulas aos sábados e um controle de faltas muito rígido, de modo que só podíamos orar a respeito do assunto.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia não tem congregações no país, por isso nosso plano era adorar a Deus em casa. No domingo, procuramos o encarregado de assuntos estudantis para explicar nossa fé.

Ele nos escutou, mas disse que seria muito difícil conseguirmos a liberação aos sábados. Por consequência, em virtude das faltas, nosso visto de estudante seria cancelado e teríamos que deixar o país. Mesmo assim, disse que estava anotando nossas crenças em um papel para transmitir ao chefe. Por fim, o encarregado nos orientou a não nutrir esperanças quanto a essa possibilidade.

Naquela noite, minha esposa disse estar confiante no milagre de Deus, espe­cialmente após ler Deuteronômio 7:9, que diz: “Saberás, pois, que o senhor teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos.”

No dia marcado para obtermos a resposta, minutos antes de entrar no escritó­rio, oramos mais uma vez. Fomos recebidos pelo chefe que adiantou, com cara de poucos amigos, que não tinha muito tempo. Após os cumprimentos, ele começou a fazer perguntas, mas nada relacionado ao sábado. De fato, parecia estar interro­gando um casal suspeito. Questionava de onde vinham nossos recursos, qual era nossa profissão e a de nossos familiares e por que havíamos escolhido aquele país.

O costume local é que a mulher não se dirija aos homens, portanto, enquanto o chefe me interrogava, minha esposa orava. Depois de vários questionamentos, ele lançou este: Você perderia as aulas aos sábados, deixando de lado seu futuro, e retornaria ao seu país?

Essa foi a oportunidade de expressar nosso amor por Deus e nossa fidelidade absoluta. Afirmei que o Senhor estava acima de nossos planos e que guardar os mandamentos era nosso reconhecimento por tudo que Ele fez e faz por nós.

Depois de pensar um pouco, ele nos disse que estávamos autorizados a não frequentar as aulas aos sábados, com o compromisso de não faltarmos em nenhum outro dia. Sentimos um alívio proveniente da alegria de ver a mão de Deus conduzindo tudo. Não tivemos nenhum problema acadêmico até hoje e estamos gratos pela providência divina.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


NOS BRAÇOS DE JESUS
3 de novembro

Porque Eu, o SENHOR, teu Deus, te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas, que Eu te ajudo. Isaias 41:13

Última noite no Brasil. Estava tudo preparado para a viagem. Os móveis haviam sido vendidos, nossa cachorrinha havia sido entregue aos cuidados de uma amiga e havíamos nos despedido da família e dos amigos. Era o último dia de reuniões na Divisão Sul-Americana, em Brasília, e chegara a hora de partir rumo à Janela 10/40, nosso lar pelos próximos cinco anos.

No dia seguinte, enquanto nos despedíamos em frente ao hotel, estáva­mos acompanhados pelo pastor-geral da região para onde nos mudaríamos. O líder estava no Brasil para apoiar-nos nessa transição, e frequentemente orava conosco. Então, ele nos perguntou como estávamos nos sentindo naquele momento. Você quer saber a figura que veio à minha mente quando ele fez essa pergunta? Um toboágua.

Eu me sentia como se estivesse no topo de um toboágua, tentando me segu­rar. Sentia o frio na barriga e a tensão que antecedem a descida. O momento pelo qual esperávamos e nos preparávamos por meses havia chegado. Depois de iniciada a descida, não haveria mais volta!

Deixamos nossos amados para trás para cuidar daqueles que nem sequer conhecemos. Não sabíamos o que haveria no caminho. Talvez fôssemos aqueles que precisariam abrir o caminho. Não sabíamos que tipo de alimento teríamos, mas estávamos dispostos a repartir o Pão da Vida com os famintos. Enfim, par­timos sem ao menos saber se um dia voltaríamos.

Mesmo sentindo minha pequenez diante de tão grande desafio, iniciei a descida. Soltei minhas mãos e me deixei cair nos cuidados de Jesus. Senti a proteção que só Ele pode dar. A ansiedade e a insegurança desapareceram. Tenho certeza de que estou nos braços daquele que rege o mundo com suas próprias mãos.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


ENTRE DOIS EXTREMOS
10 de novembro

Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas, mas o fim não será logo. Então, lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu. Lucas 21:9-11

Em 14 de novembro de 2015, o mundo estava de olho em Paris. Na noite ante­rior, a cidade havia sido atacada por representantes do Estado Islâmico. Dias antes, outro atentado havia ocorrido no Líbano, um modelo de boa convivência entre cristãos e muçulmanos. Aquela semana parecia ser um lembrete de que este mundo não é o melhor lugar para depositar nossas esperanças.

O ataque na França foi de grande proporção e muito divulgado na mídia por ser o maior ato terrorista realizado no país. O lema “Liberdade, Fraternidade e Igualdade” é característico do povo francês, com tendência humanista herdada da Revolução Francesa, que se iniciou fazendo apologia à razão e ao fim da religião. Por consequência, o homem seria o centro do universo.

Do outro lado, o Estado Islâmico se diz regido por uma teocracia, onde Alá é Deus e Maomé, o seu profeta. Para os extremistas, seu povo deve ser regido pelas leis da Shariah, do Alcorão e da Hadith (tradições orais do profeta Maomé).

O grande problema é que a imagem divina apresentada pelos membros do Estado Islâmico é muito parecida com a do homem. Assim, se os fiéis obede­cem, Alá os ama; se não obedecem, Alá os odeia.

Esse amor condicional é uma característica humana. Se Deus nos ama ape­nas se lhe satisfazemos os desejos, significa que o ser humano está no controle. Nos dois casos, no humanismo francês ou na teocracia do Estado Islâmico, o homem seria o centro de tudo.

Todos os dias quero louvar o Deus verdadeiro, manifestado em Jesus Cristo, que mostrou que o amor divino é capaz de alcançar até mesmo seus persegui­dores, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34).

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


CONSOLO EM MEIO À DOR
17 de novembro

Deus é amor. 1 João 4:16

Ataques terroristas, guerras civis em países árabes, pessoas assassinadas pelo Estado Islâmico e ameaças feitas ao mundo todo. Esses pensamentos não saíam da minha cabeça e eu meditava a respeito das profecias do tempo do fim.

Era domingo, e estávamos nos preparando para receber amigos muçulma­nos para um almoço em nossa casa. Quando eles chegaram, estavam tristes devido aos últimos acontecimentos. Naquela ocasião, louvei a Deus por ter a oportunidade de falar acerca do amor de Cristo.

Aquela reunião foi nomeada como “international meating”, um trocadilho em inglês que significa reunião/refeição internacional, já que éramos de dife­rentes nacionalidades e cada um havia preparado um prato típico de seu país. Durante a conversa, um dos convidados falou sobre o ataque terrorista ocorrido no dia anterior na França. Tentei me omitir, temendo ofender o Islã e a eles. Mudamos de assunto, brincamos com alguns jogos que trouxemos do Brasil e cada um voltou feliz para sua casa.

Pouco tempo depois, minha esposa recebeu um telefonema. Era uma das moças que havia estado conosco. Ela disse: “Por favor, apague as fotos postadas no Facebook comigo. Minha família não sabe que quando saio de casa eu tiro o hijab (véu usado para cobrir os cabelos). Se meu irmão me vir com o rosto descoberto na frente de outros homens, ele me mata!”

Mal sabíamos que era tarde demais. Recebemos uma segunda ligação dela, chorando após ser espancada pelo irmão. Minha esposa então decidiu ir até a casa da jovem e pediu que eu aguardasse em oração a fim de que o pior não acontecesse. Depois de intermediar a situação com a família, elas se dirigiram ao quarto da moça, que contou sua triste história e como aquilo era algo comum.

Para aquela jovem, Deus era alguém que procura erros e deslizes em seus súditos a fim de os punir. Naquele momento, minha esposa testemunhou do nosso Deus e de como Ele é um pai de amor. Apesar da circunstância desagra­dável, nossa amiga muçulmana teve a oportunidade de ouvir pela primeira vez uma oração feita em nome de Jesus.

Por favor, ore por ela. Nosso desejo é que a semente lançada germine e renda frutos para o reino eterno.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


FIDELIDADE RECOMPENSADA
24 de novembro

O SENHOR lutará por vocês; tão somente acalmem-se. Êxodo 14:14 (NVI)

Uma experiência maravilhosa aconteceu comigo e minha esposa enquanto procurávamos passagens para viajar a outro país. Por um lado, não podíamos gastar muito dinheiro com bilhetes de avião; por outro, se o trajeto fosse feito de ônibus, gastaríamos mais ou menos 36 horas de viagem.

Finalmente, em um site, encontramos uma promoção de passagem de avião mais barata que a de ônibus. No entanto, no país em que moramos, não temos acesso a cartão de crédito. Assim, na manhã seguinte, tivemos de ir a uma agên­cia de viagens para fazer a compra.

Na primeira agência, soubemos que eles não trabalhavam com aquela com­panhia aérea. Na segunda, o preço estava quatro vezes maior do que havía­mos encontrado na internet. Ficamos surpresos com tamanha diferença, mas em outra agência confirmaram o valor exorbitante. Desse modo, minha esposa achou que era melhor voltarmos à segunda agência para fechar a compra, antes que o valor aumentasse ainda mais.

Estava dando tudo certo na agência. Havíamos entregado nossos passapor­tes quando a atendente disse que o expediente havia se encerrado e que pode­ríamos pagar os bilhetes, mas que eles seriam emitidos só no sábado. No país onde vivemos, os dias úteis vão de sábado a quarta-feira; por sua vez, quinta e sexta-feira são considerados final de semana.

No mesmo instante, pensei que não poderia permitir que alguém traba­lhasse no sábado para meu favorecimento, de modo que decidimos cancelar a compra. De volta a nossa casa, acessamos a internet a encontramos as passa­gens com um preço um pouco acima do que havíamos visto na primeira vez, mas por menos da metade do que pagaríamos na agência.

Imediatamente contactei meu pai, pedindo para comprar as passagens com o cartão de crédito dele. Depois de realizar o procedimento, recebemos o código de compra, mas não houve débito no cartão. Quando fomos conferir, tivemos uma surpresa desagradável: a compra não havia sido efetuada. Ficamos tris­tes, mas decidimos fazer uma nova pesquisa. Qual foi a nossa surpresa quando encontramos as passagens no mesmo valor pesquisado pela primeira vez! Corremos, e dessa vez a compra foi concluída com sucesso.

Deus recompensou nossa fidelidade. Louvado seja Seu nome!

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


ENCONTRO SECRETO
1º de dezembro

De todos sereis odiados por causa do meu nome. Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça. É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma. Lucas 21:17-19

No país onde moramos há um costume muito curioso. À noite, as pessoas se reúnem em locais abertos para conversar, enquanto tomam chá quente em um calor de 40° C.

Em certa ocasião, meu amigo se aproximou de um grupo para vender um de nossos livros. Após ser malsucedido em sua oferta, ele deixou seu número tele­fônico. Isso havia ocorrido outras vezes, mas as pessoas nunca haviam telefonado.

Entretanto, dessa vez, um rapaz entrou em contato, perguntando mais sobre nossa literatura. Ele sabia que aquele trabalho era realizado por cristãos e dese­java mais informações. Isso era preocupante, pois se um morador disser às auto­ridades locais que há alguém pregando sobre Jesus ou oferecendo Bíblias, tal pessoa pode ser presa, deportada, punida fisicamente ou até morta.

Mas como deixar aquele rapaz sem as respostas que tanto queria? O jovem dese­java uma Bíblia, então, demos um jeito para que ele tivesse acesso a uma, escondido de sua família. À medida que ia lendo, mais perguntas lhe surgiam na mente. Seu interesse o motivava a ligar, de tal maneira que foi preciso marcar um encontro para responder a suas dúvidas. Decidi ir com meu amigo a esse estudo bíblico.

Não era seguro indicar-lhe onde morávamos nem ir à casa dele. Encontrar-se em um restaurante também foi descartado, até que decidimos simular um piquenique em um parque movimentado da cidade. Mesmo com medo, chegamos primeiro e ficamos aguardando nosso interessado. Como nós, ele também estava apreensivo.

O rapaz disse que queria conhecer a verdade por si mesmo, sem a interferência de outras pessoas. Por isso, estava lendo toda a Bíblia. Como sua família não podia saber, eram poucos os momentos em que se dedicava à leitura.

Após três horas de conversa, chegou o momento de nos despedirmos. Foi então que o convidamos a orar conosco. Ele estava com medo, pois não sabia como os cristãos oram. Além disso, receava os olhares curiosos das demais pes­soas que estavam no parque.

Explicamos que, geralmente, fechamos os olhos e conversamos com Deus. Por fim, ele aceitou a oração. Quando acabamos de orar, com lágrimas nos olhos, o jovem disse que esperava uma oração com várias repetições. Aproveitamos para ensinar-lhe que Deus nos ouve como a um amigo.

Ainda não sei como será nosso próximo encontro, mas certamente ele acon­tecerá, pois o Espírito Santo está atuando. Ore por nossa segurança e a de nosso amigo, para que possamos continuar estudando a Bíblia.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


UMA GRANDE AMIZADE
8 de dezembro

O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos. Provérbios 15:30

Eu havia chegado há pouco tempo naquele país, e tudo era muito diferente e novo para mim, inclusive, o sistema da faculdade onde eu estudaria. Afinal, sempre havia estudado em escolas adventistas e seria a primeira vez que não teria colegas cristãos em minha classe. Não sabia se conseguiria fazer novos amigos.

No entanto, no primeiro dia de aula, conheci uma garota com a qual con­versei durante algum tempo. Desde aquele dia, nós nos tornamos grandes ami­gas. Uma amizade muito improvável, já que ela era uma menina de 18 anos, enquanto eu era a mais velha da turma, a única casada e mãe de duas meninas. Mas, como dizem, Deus escreve certo por linhas sinuosas.

Sara e eu tínhamos muitas coisas em comum, apesar da diferença de idade. Conseguíamos conversar por muitas horas sem que o assunto terminasse. Entre nossas conversas, ela me perguntou se eu era cristã e, a partir de então, pas­sou a me fazer perguntas sobre o cristianismo. Dialogamos muito sobre reli­gião, e tive a oportunidade de aprender bastante sobre o islamismo com minha amiga muçulmana.

Em um dos semestres, uma das matérias seria dada aos sábados, e isso foi uma grande teste para mim. Contudo, Deus é misericordioso! Expliquei meus motivos para a professora e ela permitiu que eu fizesse as provas sem assistir às aulas. Depois, foi a vez de explicar a Sara o motivo de eu não comparecer às aulas de sábado. Falei-lhe sobre o dia do Senhor e acerca da Igreja Adventista do Sétimo Dia, e ela disse que eu estava certa em fazer aquilo que Deus pedia.

O semestre terminou e eu queria muito dar uma Bíblia a minha amiga muçulmana. Entretanto tinha receio, porque não queria ofender Sara nem sua religião. Poucos dias antes do Natal, ela me perguntou o significado dessa data tão importante para os cristãos.

Era o que eu precisava para falar sobre o nascimento de Jesus, o plano da sal­vação e contar-lhe sobre o presente que eu queria dar a ela. Sara entendeu e disse que acreditava que Jesus era mesmo o Filho de Deus e, para minha surpresa, con­tou-me um segredo. No período em que estudou em uma escola inglesa, ela viu na biblioteca uma grande Bíblia, que ficava aberta. Sempre que possível, minha amiga dava um jeito de ler algumas páginas, mas nunca teve uma Bíblia em mãos para continuar a leitura. Aquilo fez meu coração disparar de alegria!

No dia de Natal, entreguei-lhe a Bíblia com outros presentinhos em uma linda caixa colorida. Ela me abraçou feliz e disse que um dia ela se tornaria cristã também. Oro para que o Espírito Santo continue trabalhando no coração de Sara, e para que um dia eu possa ter a grata surpresa de abraçá-la no Céu.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


O CARRO EVANGELISTA
15 de dezembro

Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o SENHOR, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Jeremias 29:11 (NVI)

Fui enviado a servir como missionário em um território muçulmano, sem nenhuma presença adventista. Dessa forma, Deus me deu o prazer de conhe­cer várias pessoas e desenvolver boas amizades.

Entre essas pessoas está Hasan, o mecânico que cuidou de meu carro durante anos. Um senhor de meia-idade, divorciado, fumante e viciado em tra­balho. Sou uma pessoa que gosta de conversar, e ele também. Assim, sempre conversávamos quando ia à sua oficina. Hasan me contava da vida e dos diferen­tes países onde havia trabalhado, e eu, da linda cultura brasileira, que é muito mais do que futebol e carnaval.

Por providência divina, meu carro começou a quebrar muito, e acabei tendo que frequentar a oficina mais do que gostaria. Claro que inicialmente fiquei triste, mas acabei entendendo a maneira incomum como Deus trabalha.

Em certa ocasião, Hasan me confessou que fumava em média 50 cigarros por dia, uma quantidade comum entre homens e mulheres do Oriente Médio, mas disse que gostaria muito de se libertar do vício.

Então, lembrei-me das palestras que fazia em meus tempos de colportagem e do curso Como Deixar de Fumar que oferecíamos em nosso Centro de Influência naquele país. Compartilhei com meu amigo um pouco das informa­ções e fiquei feliz ao ver sua curiosidade sobre o assunto.

Convidei-o a frequentar o curso, mas isso nunca foi possível, devido a seu grande volume de trabalho. Assim, decidi levar-lhe algumas revistas sobre esse e outros temas, como vida saudável e família.

Logo depois, acabei trocando de carro, uma vez que meu veículo estava me dando muito gasto com consertos. Por isso, fiquei algum tempo sem ver Hasan. Seis meses se passaram e, finalmente, precisei fazer uma revisão em meu novo automóvel. Fui à mecânica de Hasan e tive uma grande surpresa. Meu amigo estava diferente, mais magro e com uma aparência mais saudável. Ele me con­tou que havia lido as revistas e decidira seguir as instruções.

Hasan havia parado de fumar, alimentava-se com frutas e verduras e estava praticando atividades físicas regularmente. Além disso, não trabalhava mais como antes e havia contratado um mecânico auxiliar. Meu amigo estava mais feliz do que nunca. Imagine como eu fiquei ao encontrá-lo!

Por meio de um carro que necessitava de conserto, a vida de um muçul­mano ganhou nova forma. A mensagem de saúde é uma importante ferramenta para abrir o coração ao Doador da vida.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


AVENTURAS EM VIAGEM
22 de dezembro

E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles, que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8:28

Faz um ano e dois meses que estamos no campo missionário. Tudo é novo e dife­rente onde moramos. Antes, porém, de contar a respeito de nossas aventuras diárias, quero relatar os desafios que enfrentamos para chegar até aqui. Foi uma verdadeira prova de fé!

O voo, que saia de São Paulo, tinha escalas na Alemanha e na China, antes de, finalmente, alcançar nosso destino. Sabíamos que cada um de nós poderia levar 60 kg de bagagem, mas não tínhamos ideia de que tudo deveria estar em dois volumes. Essa falta de informação nos faria pagar caro pelo excesso de bagagem e, no check-in, vivemos a primeira provação.

Entretanto, Deus tinha uma solução. Encontramos no aeroporto um casal de amigos de Brasília, DF, que estava viajando para o Oriente Médio. As rodinhas de uma de suas malas haviam sido danificadas no voo anterior, e a empresa aérea tinha fornecido uma mala nova em troca. A mala quebrada, que seria des­cartada, serviu para acomodar nossos pertences que estavam em malas meno­res. Assim, tudo foi solucionado, ali mesmo no saguão.

Na hora do embarque, fomos informados de que o sistema acusava o can­celamento de nossos bilhetes para o voo entre a Alemanha e a China. Sob a orientação dos responsáveis pelo programa Missionários para o Mundo, viajamos esperando que, durante as horas de voo, isso seria resolvido. Oramos a Deus para que tudo desse certo, porque não falávamos nem inglês nem alemão. Entretanto, na hora do segundo embarque, na Alemanha, soubemos que realmente nossos bilhetes estavam cancelados.

Corremos para fazer contato com o Brasil, mas os últimos passageiros do voo foram embarcados, e nós ficamos para trás, vendo a porta ser fechada. No entanto, para nossa surpresa, Deus deu mais uma prova de seu cuidado. Depois do embarque encerrado, veio outro funcionário da empresa aérea, providenciou novos bilhetes e nós pudemos embarcar.

Chegamos à China lembrando do que nos haviam dito: que nessa escala comumente se enfrentava maior dificuldade. Fomos revistados sete vezes, mas, graças a Deus, tudo foi tranquilo.

Enfim, seguimos em direção à nossa nova casa, certos de que as dificuldades haviam ficado para trás. Triste engano! Ao chegar junto à esteira para retirada da bagagem, o susto: nossa mala maior não veio e a outra, grande, estava totalmente aberta. Metade de nossos pertences haviam ficado na mala perdida.

Apesar dos contratempos, cremos que Deus cuida de todos os detalhes de nossa vida. Veja as intervenções divinas em seu dia a dia e confie no que o Senhor fará por você. Sua fidelidade e oração os mantêm lá.


FORÇADA A TESTEMUNHAR
29 de dezembro

Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia… 2 Timóteo 1:7

Julia é uma jovem universitária que recebeu uma bolsa de estudos internacio­nal. A fim de realizar seu sonho, foi preciso aprender o novo idioma durante um ano, requisito para ser aceita por faculdades do país ao qual ela estava se dirigindo. Após adquirir fluência na língua, era hora de escolher a universidade e o curso, apresentar os documentos e aguardar para saber se haviam aceitado sua matrícula.

A jovem sabia que um problema enfrentado por estudantes adventistas daquele país era a realização de aulas aos sábados, mas ela pesquisou e desco­briu que havia faculdades e cursos onde isso não ocorria. Assim, escolheu uma instituição que atendia à suas necessidades.

Finalmente, veio a resposta, e Júlia estava feliz porque moraria em uma boa cidade, na qual tinha amigos. Aquela era uma das faculdades onde não havia aulas aos sábados, e isso a deixava tranquila.

Entretanto, ao começar o período letivo, Júlia foi informada de que, a partir daquele ano, haveria aulas aos sábados. Tal notícia a deixou desanimada, pois havia feito tudo para evitar essa situação. Tímida, ela queria passar desperce­bida entre os demais alunos, mas então deveria expor sua dificuldade e fé ao professor e ao conselho universitário, tornando-se alvo das atenções.

Na igreja, Júlia pediu que todos orassem por ela e, com a ajuda do pastor, preparou uma carta explicando seus princípios religiosos, solicitando uma alter­nativa acadêmica para essas faltas. Seus colegas tomaram conhecimento do impasse e, curiosos, passaram a perguntar os motivos de sua ausência nas aulas.

Julia ainda enfrenta algumas complicações quanto a esse assunto, mas segue fiel ao que a Bíblia ensina. Ela entendeu e aceitou que essa dificuldade acadêmica é uma oportunidade para testemunhar. A jovem afirma que passaria os quatro anos de seu curso sem contar a ninguém sobre sua fé, se não fosse por isso. No entanto, Deus permitiu tal situação para “forçá-la a testemunhar”.

Ore por Julia e lembre-se também dos muitos estudantes que enfrentam testes para se manterem fiéis a Deus.

Sua fidelidade e oração os mantêm lá.